Canal de denúncias e investigação empresarial: garantia à integridade corporativa

Investigação

A normatização da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a constante evolução das práticas de compliance, que se referem ao cumprimento das políticas de negócio e de atividades desenvolvidas pelas empresas, tornaram o mundo corporativo preocupado em garantir um ambiente ético e transparente nas negociações e na forma como os colaboradores e executivos se portam dentro e fora da companhia.

Sendo assim, o canal de denúncias é um forte aliado para assegurar condutas éticas em conjunto com outras iniciativas, tais como a criação e adoção de códigos de ética e conduta e de políticas de conformidade. Numa análise realizada pela Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), constatou-se que 39% dos casos de fraude foram detectados por meio do recebimento de denúncias. Portanto, é inegável que o seu uso se tornou essencial na apuração de desvios éticos.

Um canal de denúncias efetivo é aquele capaz de exercer simultaneamente os papeis de desencorajar o descumprimento das “regras do jogo”, de pôr fim às irregularidades e informalidades, além do papel de promover um constante aprimoramento de ações que pretendam eliminar, ou ao menos reduzir a probabilidade de reincidência das irregularidades denunciadas.

Porém, sem uma investigação empresarial eficiente, que apure nos mais ínfimos detalhes a denúncia apresentada, de nada adianta a implementação de uma ferramenta tão poderosa e que vem se mostrando de extrema importância para todas as empresas, independentemente de seu porte.

Receber a denúncia, mas não dar o devido tratamento a ela, é quase como se não a tivesse recebido. Por isso, além da estruturação de uma área de Enterprise Risk Management (ERM) e da adoção de um sólido código de ética — que ficará responsável por elencar e definir sanções para casos de conflitos de interesse, transações com partes relacionadas, brindes e presentes, patrocínios e doações, e práticas anticorrupção — é também essencial que se dê o correto tratamento a estas denúncias.

Daí a importância de integrar o canal de denúncias a procedimentos investigatórios de checagem. Somados, eles dão mais celeridade aos processos de apuração dos fatos e, se for o caso, à aplicação da política de consequências, além de permitir o aprimoramento constante do código de ética, reduzindo, desta forma, a possibilidade de perdas para a organização, sejam financeiras ou reputacionais.

Ao tratar uma denúncia acerca de desvios financeiros, por exemplo, um dos métodos adotados refere-se à análise de compatibilidade patrimonial daquele denunciado. Já em casos de constatação de um relacionamento indevido de uma empresa parceira ou de um executivo do alto escalão com políticos ou entidades governamentais, seja da administração pública direta ou indireta, aplica-se o background check para verificação de riscos financeiros, regulatórios e reputacionais, dentre outras atividades investigativas. Por outro lado, a investigação de ativos de uma companhia e de seus sócios tende a verificar a tentativa de blindagem patrimonial para cometimento de fraude a credores.

Contar com uma estrutura consolidada para não só atender e prover o canal de denúncias, como também iniciar uma investigação sobre os relatos recebidos de maneira rápida, confidencial e segura, seja por meio do uso de ferramentas especializadas ou da realização de background check, deve ser um ponto a ser corporificado pelo setor de compliance de qualquer companhia.

Ao demonstrar o comprometimento nessa área, principalmente ao mercado e a possíveis investidores, sem sombra de dúvidas se faz crescer a percepção ética e a confiabilidade do público em geral, aumentando a probabilidade de se desenvolver negócios sustentáveis, ao mesmo tempo em que se protege não só a marca e a reputação, mas também a segurança do negócio.

Por Paulo Barreto é consultor de diligências na ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

Fonte: Consultor Jurídico
https://www.conjur.com.br/2021-jun-04/opiniao-canal-denuncias-garantia-integridade-corporativa

Canais de denúncia evoluem no Brasil e quantidade de delações dobra, em 5 anos

Canal de denuncias

Fundamental no fortalecimento do processo de integridade nas empresas e organizações, os Canais de Denúncia vêm ganhando mais relevância, nos últimos cinco anos, no Brasil. A afirmação é do palestrante do webinar ‘Canais de denúncia: experiência global como instrumento de Ética & Compliance e o caso do IES’, Fernando Scanavini, que é diretor Executivo de Operações na ICTS Protiviti, especializada no tema e responsável pelo Canal de Denúncia independente do Instituto Ética Saúde. O evento aconteceu no dia 26 de maio.

Na abertura, o integrante do Conselho de Ética do IES, Edson Luiz Vismona, destacou que o Instituto tem se desdobrado em ações, na definição de normativas e orientações, mostrando que as boas práticas devem ser incentivadas. “Essa é uma contribuição efetiva que o IES dá para estimular o setor de saúde. E esta rede precisa se consolidar cada vez mais, com base em princípios éticos concorrenciais e éticos voltados para as práticas junto ao mercado”. Citou a importância do canal de denúncias neste contexto. “Estamos saindo da visão de tese (dever ser) para colocar em prática. Essa é a demanda da sociedade e do consumidor, que cada vez mais identifica e valoriza a reputação das empresas. É preciso depurar o mercado, fortalecendo as companhias que tanto investem em iniciativas para combater desvios que corroem a competitividade do setor. Nesse sentido, o IES, em parceria com demais entidades da saúde, tem intensificado essas ações de integridade”.

Fernando Scanavini definiu os canais de denúncia como “a principal porta de entrada para o conhecimento do que acontece nas organizações para que se siga com as apurações e, consequentemente, para que os negócios ocorram de maneira ética e dentro das melhores práticas de mercado”.

Segundo ele, nos últimos cinco anos, a ICTS registrou um crescimento de mais de 100% no número de denúncias recebidas por grupo de mil pessoas. Em 2015 eram 2,4 relatos mensais a cada 1 mil colaboradores, saltando para 4,99 em 2020. “Isso mostra o nível de confiança nesta ferramenta. Neste período, as empresas e organizações ampliaram a disponibilização desses canais e houve maior exposição na mídia de temas que antes não eram abertamente discutidos pela sociedade (corrupção, assédio, racismo e violência contra a mulher, entre outros)”, analisou.

O especialista explicou o ciclo de um canal de denúncia, desde a captação, análise preliminar, investigação, conclusão e deliberação pelo comitê de ética. E destacou como as informações captadas pelo canal são importantes no tratamento de vulnerabilidade e riscos; nas melhorias em mecanismos de gestão e controle; e no treinamento e comunicação. Frisou que “cada vez mais os denunciantes têm colocado elementos que permitem a apuração do caso. Isso é muito importante. Percebemos um aumento de denúncias procedentes de 31% para 37%. Essa evolução progressiva da procedência (comprovação das denúncias após condução da apuração) demonstra ampliação, ano após ano, da maturidade do Canal nas organizações. O efeito combinado do maior nível de qualificação (aproveitamento dos relatos registrados para condução de apurações objetivas) e da maior procedência amplifica o retorno do Canal à organização em termos qualitativos e quantitativos”, afirmou Scanavini.

O diretor Técnico do Instituto Ética Saúde, Sérgio Madeira, moderador do webinar, apresentou os dados do Canal de Denúncias do IES: 684 recebidas e tratadas; 187 encaminhamentos para órgãos de governo que tem acordo de cooperação firmado com o IES; 108 denúncias finalizadas por falta de inconsistência ou fora do escopo do IES; 11 recomendações e 44 advertências. E destacou o rigor com que o Canal é tratado internamente, desde a criação. “O Instituto assegura o absoluto sigilo do conteúdo denunciado e do denunciante. Ao longo desses anos, não temos nenhum histórico de vazamento de informações. Só tem contato com os relatos o assessor de compliance que qualifica as denúncias e o Conselho de Ética que as analisa. Apenas os casos previstos – gravíssimos e comprovados – tem divulgação prevista em instrução normativa”, enfatizou.

Edson Vismona voltou a citar a importância da qualidade das informações. “Este é um desafio permanente, identificar os elementos mais concretos e formar um juízo, uma avaliação mais precisa com relação a denúncia”, finalizou.

O webinar teve o apoio institucional da ABIMO, ABRAIDI, ABRAMED, IBROSS e Observatório Social do Brasil. O conteúdo completo está disponível no YouTube do Instituto Ética Saúde: www.youtube.com/watch?v=KdcERv0GnzY.

Por Fernando Scanavini, diretor Executivo de Operações na ICTS Protiviti

Fonte: Portal Hospitais Brasil
https://portalhospitaisbrasil.com.br/canais-de-denuncia-evoluem-no-brasil-e-quantidade-de-delacoes-dobra-em-5-anos/

Assédio nas organizações: como a Globo poderia ter prevenido caso denunciado por Dani Calabresa?

Assédio

Empresas precisam ter um “plano de ação consistente e eficaz” para lidar com situações de assédio, afirma especialista

Uma extensa reportagem publicada nesta sexta-feira, (4) pela revista piauí, com acusações de assédio feitas pela atriz Dani Calabresa contra Marcius Melhem, ex-chefe do departamento de humor da TV Globo, levantou um grande debate nas redes sociais sobre assédio dentro das organizações.

A matéria, assinada pelo jornalista João Batista Jr, afirma que a atriz sofreu assédio sexual por parte de Melhem tanto dentro do ambiente de trabalho como em uma confraternização da equipe do programa Zorra em um bar no Rio de Janeiro. Em uma das ocasiões, ele teria agarrado e tentado beijar Calabresa à força. Outras mulheres, que preferiram não se identificar, também relataram à revista situações de assédio sexual e moral.

O ex-diretor nega as acusações, e a Rede Globo afirmou, em nota, que “todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado criteriosamente assim que a empresa toma conhecimento”, e que “não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e incentiva que qualquer abuso seja denunciado”. A discussão em torno do caso levanta a questão: o que as empresas podem fazer para evitar casos de assédio sexual e moral

Cenário marcado por silêncio

Um levantamento desenvolvido pelo LinkedIn em parceria com a consultoria de inovação social Think Eva, publicado em outubro, indica que 95% das mulheres sabem o que é assédio sexual no ambiente de trabalho, mas pouco mais de 51% falam com frequência sobre o tema. E, enquanto o problema é de larga escala, atingindo uma em cada duas mulheres, apenas 5% delas recorre ao RH das empresas para reportar um caso. O baixo índice de queixas, de acordo com a pesquisa, está associado ao senso de impunidade, ineficiência de políticas internas e ao medo, além do sentimento de culpa pelo assédio sofrido.

De acordo com psicóloga e consultora de RH Meiry Kamia, quando de trata de assédio, muitas pessoas desistem de entrar com ações por temerem perder o emprego ou ficarem “manchados” na área de atuação. “A necessidade de haver testemunhas que comprovem o assédio também dificulta o processo, pois os colegas de trabalho também temem perder o emprego”, explica a consultora.

Para Meiry, o melhor caminho rumo à repressão do assédio é sempre a prevenção. “O assédio se instala nas organizações quando a vítima não é ouvida e o diálogo é impossível. Prevenir significa criar políticas que facilitem o diálogo e a comunicação verdadeira, o que inclui a educação dos gestores ensinando-os a lidar com tais questões levando em conta a natureza humana”, afirma a psicóloga.

A especialista em compliance Livia Cuiabano, da empresa especializada em compliance e soluções para gestão de riscos ICTS Protiviti, afirma que o assédio é um dos temas “espinhosos” nas corporações. “Quando um caso de assédio aparece, seja moral ou sexual, o clima corporativo é abalado, a privacidade dos envolvidos fica vulnerável, as opiniões se dividem, há temor, insegurança e polêmica internas e, em caso de repercussão na mídia, abalo na imagem e reputação da empresa”, explica.

Livia também reforça a importância da prevenção do assédio, e diz que empresas precisam ter um “plano de ação consistente e eficaz” para lidar com estas situações. “A intolerância ao assédio deve ser um dos valores da organização e, o combate, um de seus princípios de conduta.” Abaixo, ela compartilha alguns pontos que considera essenciais para combater o assédio.

Como prevenir o assédio nas organizações

1. Estratégia para encarar o problema

O primeiro passo, de acordo com Livia Cuiabano, é elaborar a estratégia para combate do assédio, precisa ir além de conhecer possíveis implicações sob o viés trabalhista, criminal, civil e administrativo, e deve refletir a cultura ética organizacional da empresa, que deve ser seguida, antes de tudo, pela alta gestão. “Envolve atração e retenção de talentos, bom clima interno, diversidade e outros fatores que se conectam com planos de crescimento dos negócios. Conhecer o perfil dos colaboradores é igualmente decisivo para se estabelecer uma estratégia que leve a abordagem à compreensão de todos, transformando a forma de pensar e agir”, explica.

2. Definição de normas

O que é ou não aceitável na instituição? É fundamental que as regras sejam formalizadas por escrito. Empresa pode começar com a elaboração de um código de ética, que depois pode ser complementado por políticas e procedimentos específicos. “Os comportamentos e atitudes esperados devem ser listados, assim como os que não serão tolerados. A linguagem e os exemplos devem ser compatíveis com a realidade da organização”, diz Livia Cuiabano.

3. Treinamentos

Ações de prevenção ao assédio devem ser trabalhadas em toda a empresa, lembrando os colaboradores que o respeito é uma condição indispensável para a convivência no ambiente de trabalho. “Para tanto, devem ser organizados treinamentos periódicos orientando sobre as condutas reprováveis e as balizas éticas pré-estabelecidas. Eles devem se amparar, ainda, em ações de comunicação e endomarketing efetivas para a conscientização quanto à repulsa ao assédio, como mensagens institucionais, vídeos educativos, dinâmicas interativas, cartilhas, games etc”, recomenda Livia. De acordo com ela, é indispensável customizar o conteúdo para cada público-alvo.

4. Canal de denúncias

“É imprescindível que haja canais por meio dos quais os indivíduos possam submeter as ocorrências ou casos suspeitos, possibilitando a realização de um processo investigativo. Eles devem ser geridos de forma isenta, com profissionais capacitados para a escuta ativa dos relatos de assédio”, diz Livia. Todos os colaboradores precisam confiar que organização leva o assunto a sério, e para isso toda denúncia deve ser devidamente apurada, seguindo um procedimento formal e isento para a apuração dos fatos, com total sigilo.

5. Proteção às vítimas

Como se trata de assunto delicado, empresas precisam entender que o processo é muito difícil para vítimas. “Expor o caso é, muitas vezes, expor ofensas e constrangimentos que já atingiram a dignidade, personalidade e integridade psíquica e física”, diz Livia. Por isso, é preciso ter o cuidado máximo para acolher a demanda do colaborador, e a organização precisa estimular e proteger quem precisa ser ouvido. “Empresa deve proteger, oferecer discrição e a não represália aos denunciantes de boa-fé, de modo a proporcionar o clima de confiança necessário para que o reporte seja feito”, explica a especialista.

Para ela, esse plano de ação, quando implementado com engajamento da alta direção, é capaz de promover “uma mudança na cultura corporativa para um local onde todos sejam ouvidos, estejam comprometidos e desejem estar: onde o respeito não é luxo, mas sim, condição indispensável”.

Por Livia Cuiabano, especialista de compliance na ICTS Protiviti

Fonte: Administradores.com
https://administradores.com.br/noticias/como-evitar-assedio-sexual-globo-dani-calabresa-marcius-melhem

O canal de denúncias como aliado contra a pandemia

Canal de denúncias

A covid-19 mostra como o canal de denúncia pode ir além do compliance e apoiar o RH das empresas

As mudanças trazidas nas organizações com a chegada do novo coronavírus, que forçou a adoção do home office, por exemplo, ampliaram a capacidade das ferramentas de contato disponibilizadas aos colaboradores para fins mais específicos, trazendo um apoio singular neste período de pandemia. Este é o caso do canal de denúncias.

Adotado pelas empresas como saída para uma gestão mais íntegra e transparente, voltando-se às práticas de governança, o uso desse recurso mostrou sua versatilidade como ferramenta de comunicação direta dos colaboradores com as equipes de gestão, tornando-se um braço para apoiar, principalmente, a área de recursos humanos. Aprendemos com a covid-19 que não é só de denúncia que vive um canal de ética e compliance.

O CANAL DE DENÚNCIA AINDA TRAZ UM SENTIMENTO DE ACOLHIMENTO ÀS PESSOAS, QUE PODEM SE MANIFESTAR DE FORMA ANÔNIMA OU NÃO

Relatos relacionados à pandemia desde o início do agravamento da crise passaram a responder por aproximadamente 20% dos contatos numa operação tradicional de canal de denúncia. Falta de equipamento de proteção individual (EPI), comportamento inadequado que expõe pessoas ao risco da doença, dúvidas relacionadas ao home office, pedidos de ajuda, entre outras dúvidas que ocorrem com um trabalho a distância da gestão das empresas são algumas das questões demandadas no canal de denúncias.

Por se tratar de uma ferramenta confiável e direta de comunicação com as organizações, esse serviço tem se mostrado importante e necessário neste momento atípico, fazendo com que as informações cheguem rapidamente às equipes de gestão e de recursos humanos, que podem tomar decisões com mais agilidade.

Neste cenário, o mais importante foi constatar a capacidade de adaptação das equipes de atendimento e dos sistemas ao momento da crise, possibilitando às empresas terem em mãos uma ferramenta de concentração das informações e de distribuição das tarefas para o tratamento da crise, além de permitir um acompanhamento da execução de cada demanda em tempo real.

Mais do que um ponto de contato à disposição do colaborador, o canal de denúncia ainda traz um sentimento de acolhimento às pessoas, que podem se manifestar de forma anônima ou não, de acordo com sua vontade.

Por Fernando Scanavini é diretor de operações da ICTS Protiviti

Fonte: Revista Melhor
https://revistamelhor.com.br/o-canal-de-denuncias-como-aliado-contra-a-pandemia/

Uso do Canal de Denúncias: Brasil x Europa

Recentemente, a Association of Certified Fraud Examiners (ACFE) publicou em seu blog um artigo com informações sobre a implementação e o uso do Canal de Denúncias em empresas europeias e internacionais. Maior organização antifraude do mundo, a ACFE fez suas conclusões com base em um estudo que envolveu 200 empresas, autoridades e outras organizações que utilizam sistemas para o registro de denúncias e irregularidades.

Cenários de evolução são semelhantes

Durante o ano de 2017, com a exposição de desvios de conduta relevantes e maior incidência de prejuízos, nos países europeus houve um progressivo reconhecimento da importância das denúncias como forma de descobrir, investigar e tratar irregularidades no ambiente corporativo. Como consequência, muitos países entenderam a necessidade de proteger seus denunciantes, criando legislações específicas para o resguardo dos mesmos.
Tal evolução na mentalidade para com denúncias e denunciantes foi igualmente observada no cenário brasileiro. De acordo com o estudo de 10 anos de Canal de Denúncias, realizado pela ICTS Outsourcing, houve aumento considerável no volume, relevância e utilidade dos Canais de Denúncias no Brasil. A partir de 2009, com o início da Operação Lava Jato e em 2014, com a aprovação e implementação da Lei Anticorrupção, os Canais de Denúncias passaram a ser parte integrante dos programas de Compliance e, assim, vistos como fundamentais para a efetividade no combate à corrupção.

Comparativo indica uso mais amplo do canal de denúncias no Brasil

Alguns tópicos-chave destacam-se no estudo europeu:

  1. O Canal de Denúncias está se popularizando nas organizações europeias

As organizações participantes do estudo europeu relataram um maior recebimento de denúncias em 2017 quando comparado aos anos anteriores. As estatísticas mostraram que, em média, as empresas receberam 1 relato por ano para cada grupo de 400 colaboradores – o equivalente a 0,2 relatos/mês para cada grupo de mil funcionários.
Com a popularização do Canal de Denúncias, mais empresas ampliaram o acesso ao canal e, agora, incluíram grupos externos – como fornecedores e clientes.
No Brasil, o movimento em prol do Canal de Denúncias mostra-se estabelecido há mais tempo. Este instrumento já é aceito e bem visto nas organizações brasileiras e/ou que operam no Brasil, o que fica claro na comparação das estatísticas de utilização do Canal: no Brasil observa-se uma média de 3,5 relatos para cada grupo de mil funcionários – 17 vezes maior do que os 0,2 relatos/mês observados na Europa.
Além da predominância da participação de colaboradores no registro das denúncias brasileiras, o público externo teve aumento em sua parcela de contribuição. Em 10 anos de estatísticas levantadas pela ICTS, clientes e fornecedores mostraram-se mais participativos. Clientes foram os responsáveis por 7,1% das denúncias; somente em 2017, o percentual avançou para 8,4%. Já os fornecedores tiveram a parcela de 4,5% dos relatos em 10 anos; somente em 2017, essa parcela avançou para 5,9%.

  1. Registros eletrônicos são predominantes

Sobre a origem dos registros, a avaliação europeia chegou à conclusão de que cerca de 90% das denúncias foram feitas por meio de registros eletrônicos (website, formulários eletrônicos ou e-mail). Com o número cada vez maior de smartphones com acesso à internet, a facilidade em denunciar via web parece substituir a preferência anterior, pelas linhas telefônicas. Após a implementação da GDPR – Regulamento Geral Sobre a Proteção de Dados –, os denunciantes sentem-se ainda mais seguros em fazer seus relatos on-line.
No Brasil, este número correspondeu à 55% das denúncias feitas ao longo de 10 anos dentro dos canais operados pela ICTS Outsourcing. Já os registros realizados por voz foram os responsáveis por 40% das denúncias, mostrando que, apesar do avanço tecnológico, nosso país ainda segue valorizando a abordagem direta e pessoal. Quando corretamente operadas, as linhas telefônicas maximizam a velocidade e efetividade dos processos de apuração das denúncias, já que oferecem maior riqueza na interação com os denunciantes.

  1. Perspectiva: o caminho para a denúncia

Disponibilizar um canal acessível para denúncias não é sinônimo de receber mensagens irrelevantes, relatos feitos com má fé ou outras reações negativas dos funcionários. Muito pelo contrário: as organizações europeias pesquisadas indicaram que, sem o Canal de Denúncias, as informações levantadas seriam muito difíceis de serem obtidas de outras maneiras.
Ainda que as diferenças culturais e legislativas sejam latentes entre Brasil x Europa, existe um senso comum. Nos estudos da ICTS Outsourcing foi possível obter uma visão clara sobre a importância da especialização dos profissionais que atuam na triagem e qualificação das denúncias. Em 10 anos, quase 1/3 do total de denúncias foram classificadas como “não-qualificadas”. É a triagem especializada que permite a redução do ruído sobre as informações registradas no canal, direcionando os esforços das empresas para os relatos que, de fato, possuem os atributos necessários para serem averiguadas.
E a sua empresa, já possui um Canal de Denúncias corretamente estruturado? Deixe o seu comentário ou entre em contato com os nossos especialistas.

O apoio de novas tecnologias no combate à corrupção nas empresas

Os tempos agora são outros. Com o advento de novas tecnologias, situações como a corrupção, antes difíceis de serem identificadas e evidenciadas, agora deixam rastros digitais que podem ser detectados e analisados, em tempo real ou ao longo de um processo investigativo, ampliando de modo relevante a capacidade das organizações combaterem este e outros tipos de atos ilícitos que acontecem em seu ambiente de trabalho e em suas interfaces.
Dentre as contribuições trazidas pela evolução tecnológica, destacam-se o Big Data e o Data Analytics, que contribuem de forma relevante nas estruturas de controle e investigações. Estas tecnologias viabilizam o processamento e análise de grandes volumes de dados, capturados de diversas origens, que quando correlacionados, tornam-se uma rica fonte para análise, e até mesmo, para o desenvolvimento de algorítimos preditivos. Além dos ganhos de eficácia, essas novas tecnologias proporcionam mais eficiência aos esforços de apuração das irregularidades.
Os dados analisados podem contemplar logs de acesso físico às instalações, registros de áudio e vídeo, comunicações via e-mail, logs de acesso lógico às redes de computadores, sistemas e sites na internet. Por meio de ferramentas forenses, até mesmo os arquivos apagados podem ser recuperados de discos rígidos das estações de trabalho e celulares corporativos. Além destas, existem muitas outras fontes de dados digitais disponíveis dentro do ambiente das próprias organizações.
Porém, as fronteiras da empresa não são um limite para a obtenção de dados. Crawlers permitem a varredura de publicações na internet, em sites, microblogs, redes sociais e marketplaces – como o Mercado Livre. Além disso, diversos órgãos públicos e privados oferecem informações sobre qualquer pessoa física ou jurídica.
Empregando-se os conceitos e ferramental relacionados ao Big Data e Data Analytics, sobre as fontes internas e externas de dados, faz-se possível compreender diversos aspectos sobre colaboradores, candidatos, fornecedores, clientes e a comunidade em geral – dentre eles, o perfil comportamental, o estilo de vida, a rede de relacionamentos e até mesmo a situação patrimonial, posição societária e histórico creditício e judicial de uma pessoa que esteja sendo o foco de uma investigação corporativa.
Essa capacidade de “garimpar” dados e identificar comportamentos, relacionamentos e até mesmo evidências de irregularidades cometidas, é alimentada ou complementada por informações coletadas por meio de denúncias.

A contribuição do Canal de Denúncias

A contribuição de denunciantes – sejam eles colaboradores ou não – através de um Canal de Denúncias efetivo, também permitirá o desenvolvimento de correlações entre os fatos apurados e a miríade de dados processados e analisados pela empresa. Além do relato em si, o uso do Canal de Denúncias aporta evidências em formato digital, tais como e-mails, gravações de áudio, fotos e vídeos.
O próprio Canal de Denúncias em si não deixa de ser um exemplo da evolução tecnológica a serviço do combate à corrupção e outros desvios. Com o apoio da internet, dos smartphones e das conexões globais de dados e telefonia, o canal interliga o denunciante com a estrutura especializada de captação de denúncia. Permite total segurança e anonimato. Oferece a possibilidade de interação eletrônica para enriquecimento de informações e uma série de funcionalidades que agilizam a etapa de investigação ao mesmo tempo em que preservam o sigilo e confidencialidade das informações.
As tecnologias comentadas aqui já estão disponíveis e em franca utilização. No entanto, há novidades no horizonte, como o Deep Learning e aplicações para análise de linguagem natural, que quando empregadas com inteligência, continuarão revolucionando as práticas e capacidades de detecção e combate às irregularidades nas empresas, fortalecendo sua atuação preventiva e investigativa.
Gostaria de contar com uma estrutura completa e efetiva para detecção, captura, monitoramento e análise contínua de situações que trazem riscos ao seu negócio? Entre em contato com os especialistas da ICTS Outsourcing e descubra como aliamos expertise e novas tecnologias em nossa plataforma integrada de serviços para gestão de Riscos, Ética e Compliance.

A contribuição de públicos externos por meio do Canal de Denúncias

Quando bem estruturado, um Canal de Denúncias torna-se um mecanismo altamente eficiente para a resolução de problemas estruturais dentro das organizações, permitindo a descoberta e o correto endereçamento de desvios de conduta e irregularidades. Promove assim, um ambiente empresarial ético e sustentável.
Ainda que os colaboradores sejam os principais responsáveis pelos registros de denúncias, a participação do público externo às organizações vem crescendo, alertando as empresas sobre a importância do correto tratamento destes relatos.
Clientes, parceiros e fornecedores estão atentos aos desvios de conduta e irregularidades eventualmente cometidos pelas organizações com as quais mantém uma relação comercial ou de consumo.
De modo a atenuar consequências negativas para o ambiente e imagem corporativos, é preciso saber orientar e conquistar este público externo para que suas observações sejam direcionadas para o Canal de Denúncias, recebendo um tratamento efetivo.

A contribuição dos públicos externos: o que dizem as estatísticas?

Segundo levantamento de dados feito pela ICTS Outsourcing ao longo de 10 anos de operação especializada em Canais de Denúncias, o colaborador é responsável por 85,9% dos relatos registrados. No entanto, a análise da série histórica da participação dos públicos externos à organização sinaliza um crescimento importante ao longo do tempo.
No período de dez anos, os Clientes contribuíram com o registro de 7,1% das denúncias e, somente em 2017, foram responsáveis por 8,4% dos relatos recebidos via Canais de Denúncias operados pela ICTS Outsourcing, sinalizando uma tendência de alta.
Já os Fornecedores corresponderam a uma fatia de 5,9% das denúncias em 2017, atingindo um patamar 31% superior ao índice de  4,5% verificado no acumulado de dez anos.

Quais as consequências para minha empresa?

O aumento na participação do público externo evidencia que as organizações são avaliadas além das paredes que as limitam. Casos antiéticos mancham a imagem de uma empresa não somente em seu ambiente interno como, também, nas demais esferas com as quais ela se relaciona.
Os relatos de clientes e fornecedores têm parcela representativa nas denúncias sobre “descumprimento de políticas, normas e procedimentos” e, também, na sinalização de “má intenção/ilícitos”. Uma empresa que tenha sua reputação comprometida diante da sociedade terá um caminho árduo a percorrer para reverter este quadro. Um verdadeiro esforço de turnaround Ético se faz necessário e, mesmo assim, em alguns casos, pode não ser suficiente para evitar o pior.
Frente ao risco reputacional envolvido, é necessário antecipar-se. O envolvimento e o estímulo ]à denúncia deve abranger os públicos externos da organização. É preciso utilizar essa “contribuição externa” de forma proativa e propositiva.
Sintonizar clientes, parceiros e fornecedores com os propósitos e valores da empresa, dar visibilidade em relação ao código de conduta ética e acesso ao Canal de Denúncias são elementos fundamentais.
Uma vez que estejam seguros e estimulados a denunciar, o aspecto-chave no estabelecimento e fortalecimento da relação de confiança é o tratamento tempestivo e especializado que se deve dispensar sobre as informações manifestadas, ratificando o discurso de Ética e transparência por meio de ações práticas e consistentes no dia a dia. Somente este tipo de retorno poderá transformar seu público externo num valoroso aliado no combate aos desvios e irregularidades que, inevitavelmente, atravessam o caminho das empresas.
Como sua empresa dá publicidade ao seu Canal de Denúncias? Todos os públicos conhecem a existência do Canal? Qual o tratamento dispensado sobre os relatos recebidos?
São perguntas importantes e que precisam ser endereçadas como parte de um Programa de Ética e Compliance efetivo, elemento cada vez mais necessário para a competitividade e sustentabilidade de qualquer organização.
Deixe seu comentário ou entre em contato com um de nossos especialistas e saiba como podemos fortalecer a Ética e o Compliance na sua empresa.

O papel social do Canal de Denúncias na violência contra a mulher

Criada para proteger as mulheres vítimas de violência, a Lei Maria da Penha completa 12 anos no mês de agosto. Ainda que os casos de violência contra a mulher tenham ganhado ótica jurisprudente, as estatísticas e acontecimentos recentes demonstram que, mesmo com o amparo da lei, as mulheres seguem sendo as grandes vítimas nas narrativas de violência e homicídio.
Como nos demais anos, 2018 foi marcado por ocorrências que ganharam grande notoriedade. O assassinato de Marielle Franco e, mais recentemente, o caso de Tatiane Spitzner – encontrada morta após cair da sacada de seu apartamento – deram respaldo para discussões ainda mais aprofundadas sobre o tema – que, por muitas vezes, não recebe atenção expressiva frente às estatísticas levantadas em relação à violência contra a mulher.
Segundo o Atlas da Violência, divulgado no segundo semestre de 2018, somente em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no País – o que representa uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. Ainda de acordo com o Atlas da Violência, em dez anos observou-se um aumento de 6,4% nos casos de homicídio de mulheres.
Embora a questão pareça distante do mundo corporativo, os dados sobre a violência contra a mulher também exercem impacto altamente prejudicial à economia. Segundo pesquisas da Universidade Federal do Ceará e do Instituto Maria da Penha, as vítimas perdem, em média, 18 dias de trabalho ao ano apenas por consequência direta das agressões domésticas sofridas. As consequências na carreira destas mulheres envolvem menor estabilidade, menos tempo de permanência em seus cargos e, também menor produtividade no exercer de suas tarefas.
A comoção pública manifestada frente aos acontecimentos dá sinais de que a violência contra a mulher está deixando de ser naturalizada. Assim, se a legislação e as políticas públicas ainda não mostram-se verdadeiramente eficazes no combate às violências de gênero, encontrar alternativas que eduquem, difundem direitos e conscientizem sobre a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de enfrentamento é medida fundamental para contribuir com a preservação de vidas.

O dever da iniciativa privada

Uma organização é composta por pessoas. Assim, gêneros, classes sociais, crenças e vivências completamente distintas se misturam, dando origem à realidade de cada colaborador. Ainda que não haja responsabilidade direta, uma empresa pode tornar-se grande agente na transformação pessoal de cada um. Através da disseminação de orientações e do oferecimento de suporte, é possível contribuir positivamente não somente no ambiente de trabalho como, também, nas questões vividas externamente, fora do espaço da organização.
São escassas as empresas que olham para o que acontece com os colaboradores além das suas instalações – principalmente quando o assunto refere-se à violência contra as mulheres. Porém, na contramão desta realidade, grandes empresas referências em inclusão e diversidade já mostram-se atentas ao tema e, assim, vêm criando estruturas internas de proteção à mulher. As medidas desvendam cada vez mais qual o papel da iniciativa privada na mitigação dos casos: aquele que descarta a omissão e que tem a consciência de que é possível salvar vidas com simples ações recorrentes.

Como o Canal de Denúncias pode fazer a diferença nas estatísticas?

A principal preocupação das companhias engajadas no combate à violência de gênero é a de que suas colaboradoras sejam vítimas do feminicídio, tendo suas vidas interrompidas por omissão de toda uma sociedade. Desta forma, toda e qualquer medida que estabeleça um canal de comunicação para além dos fatores internos da empresa pode estabelecer um grande elo de suporte e apoio a quem sofre com a violência doméstica.
A Magazine Luiza, por exemplo, que já possuía um Canal de Denúncias voltado para desvios de comportamento ético e irregularidades frente a políticas internas, regulações e leis, após vivenciar uma experiência de feminicídio, criou com apoio especializado uma nova linha de comunicação voltada para casos de violência doméstica envolvendo suas colaboradoras.
O Canal da Mulher promove um ambiente seguro para a manifestação, onde as colaboradoras interagem com uma equipe também de mulheres, preparada para o ótimo acolhimento e direcionamento de cada caso.
Como a sua empresa cuida deste tema? Qual suporte oferece para combater os casos de violência contra a mulher?
Conte com toda a expertise da ICTS Outsourcing para a implementação de um Canal de Denúncias especializado, que ouça, compreenda e oriente as colaboradoras da sua empresa.
Deixe o seu comentário ou entre em contato com os nossos especialistas.

Maximize seu processo de apuração das denúncias: boas práticas

O Canal de Denúncias proporciona às empresas um instrumento efetivo para conhecimento, diagnóstico e atuação sobre uma ampla gama de irregularidades. Sua implementação requer conhecimento, planejamento e execução precisos.
Eliminar as barreiras do ato de denunciar requer um mecanismo seguro para quem denuncia, que permita o anonimato quando desejado, conduza tecnicamente o acolhimento e desenvolvimento do contato com o relator, e possua diretrizes e procedimentos de operação maduros e formalizados.
Uma vez que as denúncias começam a ser manifestadas ao canal, faz-se necessária a apuração tempestiva de suas informações. Este processo deve ser conduzido de forma consistente, baseado em protocolos de tratamento, fluxos e autonomias pré-definidos, preservando o sigilo dos envolvidos. Seu resultado deve permitir a efetiva deliberação e aplicação do balanço de consequências sobre as irregularidades comprovadas.
A seguir apresentamos algumas boas práticas para apuração dos principais tipos de denúncias recebidas num canal:

Assédio Moral, Assédio Sexual, discriminação e agressão

  • Não tome partido. Emoções, pontos de vista e preconceitos devem ficar de fora do processo investigativo, o que requer um esforço consciente.
  • Analise o caso em colegiado. Se possível, envolvendo pessoas do mesmo gênero/grupo das vítimas, assegurando uma perspectiva ampla da situação.
  • Ao longo do processo investigativo, proteja igualmente denunciantes, denunciados e testemunhas.
  • Utilize o monitoramento e análise de e-mails e outras ferramentas de colaboração corporativas para mapear redes de relacionamento, compreender o perfil comportamental dos envolvidos e obter evidências sobre os desvios de denunciados.
  • Monitoramentos na internet, em redes sociais, também colaboram com o processo de apuração e construção do perfil comportamental dos envolvidos.
  • Verifique registros de acesso físico e imagens de CFTV para ratificar a presença dos personagens envolvidos na denúncia nos locais onde os fatos se desenrolaram.
  • Colha testemunhos sobre os envolvidos e situações denunciadas. Empregue entrevistadores especializados na coleta dessas informações.
  • Nos casos de assédio moral, busque elementos para configurar a frequência da ação do assediador sobre a vítima.

 

Conflito de interesses e corrupção

  • Foque-se na configuração do conflito, evidenciando a ação que fere os interesses da empresa e o retorno que esta ação promoveu ao denunciado. Em casos de corrupção, deve-se evidenciar a ação/omissão do polo ativo e/ou passivo que produziu a vantagem indevida e sua contrapartida.
  • Utilize o monitoramento e análise de e-mails e outras ferramentas de colaboração corporativas para mapear redes de relacionamento, compreender o nível de informalidade das relações e coletar evidências da situação de conflito e benefício auferido.
  • Empregue técnicas forenses para monitorar estações de trabalho, telefones celulares corporativos, acesso à redes e sistemas e analisar dados de logs e discos rígidos (inclusive arquivos deletados).
  • Confirme via controles de acesso e agendamento de reuniões e as datas/horários de interações entre as partes.
  • Utilize fontes públicas. Inúmeras informações sobre pessoas físicas e jurídicas podem ser obtidas na internet (redes sociais, sites governamentais, poder judiciário) e em cartórios.
  • Quando aplicável, estenda a investigação sobre o núcleo familiar ou de negócios dos envolvidos, dado que as relações e contrapartidas podem se desenvolver de forma indireta.
  • Envolva no processo investigativo somente as pessoas que terão ação efetiva sobre o caso, e pratique o fracionamento dos levantamentos e informações.
  • Em casos de corrupção, o departamento ou assessoria jurídica da empresa devem ser envolvidos desde o início do processo investigativo.
  • Não atravesse o sinal vermelho. Sempre observe as leis e proteja os direitos constitucionais dos envolvidos.

 

O papel do Comitê de Ética

A constituição de um Comitê de Ética multidisciplinar, envolvendo executivos da estrutura organizacional da empresa, é uma ação fundamental para o sucesso do canal de denúncias numa organização.
Este comitê estabelecerá as políticas, procedimentos e autonomias relacionadas com o processo de apuração das denúncias, atuando também na deliberação sobre casos específicos, aplicação de medidas disciplinares, e direcionamento de ações corretivas e preventivas.
Sua estrutura colegiada evita conflitos de interesse e promove a governança e o pleno funcionamento do canal e de toda a estrutura de gestão da Ética e Compliance na empresa.

Quer se aprofundar neste tema?

Para outras informações, confira nossos outros artigos sobre “Boas práticas na apuração de denúncias” já publicados neste blog:
Boas práticas na apuração de denúncias – por onde começar e para onde evoluir
Boas práticas na apuração de denúncias – casos de assédio, discriminação, agressão
Boas práticas na apuração de denúncias – casos de conflitos de interesses
Boas práticas na apuração de denúncias – casos de corrupção
Boas práticas na apuração de denúncias – implicações do envolvimento de agentes externos

Denúncias anônimas: saiba trabalhar com esta fonte de informação valiosa

Se você já fez o download do nosso e-Book “O Canal de Denúncias na prática: estatísticas da operação ICTS Outsourcing em 10 anos”, então sabe da importância do anonimato na implementação de um canal de denúncias efetivo. Nada menos do que 72,4% dos relatos recebidos pelos Canais de Denúncias operados pela ICTS Outsourcing entre 2008 e 2017 foram realizados de forma anônima.
O anonimato é, antes de mais nada, um instrumento fundamental para permitir que denunciantes manifestem informações sobre seus gestores e líderes de alta hierarquia sem que sofram retaliações. Trata-se, portanto, de um elemento essencial para proteção das fontes de informação do canal.
Porém, até poucos anos atrás, a oferta do anonimato era um assunto controverso no mercado. O grande receio das empresas era de que o anonimato fosse utilizado para beneficiar pessoas que quisessem utilizar o canal de denúncias para benefício próprio, plantando informações para prejudicar alguém, disseminando fofocas, etc, o que distorceria o propósito inicial do canal.
Este risco obviamente existe numa operação de canal, mas pode e deve ser minimizado pelo emprego de estratégias de comunicação e uma triagem especializada, capaz de direcionar e concentrar os esforços de investigação somente sobre as informações relevantes.
Na prática, as estatísticas mostram que a quantidade de informações de qualidade recebidas de forma anônima é muito mais significativa do que os registros onde existe a tentativa de uso indevido do canal.
Comparando-se com denúncias identificadas, a única desvantagem do relato anônimo reside no tempo de apuração, cuja média é 22% superior. Efetivamente, um detalhe pouco significativo versus os benefícios trazidos pela oferta do anonimato.
E isto vem sendo reconhecido não somente pelas empresas, mas também pela nossa sociedade. Atualmente, inclusive impulsionado pela Lei Anticorrupção e outras regulações, a grande maioria dos canais de denúncia oferecem o registro anônimo, confirmando que este paradigma já foi superado.
O melhor aproveitamento das denúncias anônimas requer especialização. A seguir listamos os pontos principais a serem considerados:

  • Estruture e exerça uma triagem ativa e objetiva sobre as denúncias, com foco em gestão de riscos. A qualificação dos relatos é fundamental para a efetividade do canal de denúncias.
  • Priorize e foque seus esforços de apuração sobre casos que possuam objetividade, riqueza suficiente, comprometimento da fonte e relevância para a empresa.
  • Conte com profissionais capacitados em técnicas de entrevista e análises de conteúdo. Em outros posts já falamos sobre este nível de profissionalização necessário numa operação de canal. Não é para principiantes!
  • Utilize um sistema para registro das denúncias que permita a posterior interação com fontes de informação anônimas. Será bastante útil para complementação de informações e o prosseguimento das atividades de investigação da denúncia.

Evitar e desestimular os possíveis abusos permitidos pela oferta do anonimato requer preparo.
Metodologia, técnicas especializadas e uma equipe e sistema apropriados são atributos necessários para que o seu Canal de Denúncias usufrua do valor das denúncias anônimas e maximize o sucesso deste instrumento em sua organização.

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