Canal de denúncia nas escolas: medida para a segurança física e mental dos estudantes

canais de denuncias em escolas

por Maurício Fiss*

A segurança nas escolas é uma preocupação cada vez mais frequente no Brasil e em todo o mundo. Infelizmente, ataques violentos nas instituições de ensino têm se tornado mais comuns nos últimos dias, gerando um aumento na preocupação dos pais, educadores e autoridades responsáveis pela segurança pública.

Se tomarmos os Estados Unidos da América como exemplo, dados da National School Safety Center nos mostram que, entre 1990 e 2021, ocorreram pelo menos 490 tiroteios em escolas naquele país. Esses ataques deixaram mais de 590 mortos e 800 feridos. O estudo ainda relata que 80% dos atiradores deram sinais claros de que pretendiam cometer um ataque antes de agir.

Um paralelo com mais de 520 mil relatos da base de dados da Aliant, com 268 empresas do segmento de serviços, dentre elas escolas e universidades, mostram que denúncias de assédio moral, discriminação e práticas abusivas tiveram aumento de 100% em cinco anos no Brasil.

Outro número que chama atenção é o gênero de quem relata: enquanto em 2017 a maioria era do gênero masculino, totalizando 54%, em 2022 as mulheres passaram a liderar, com 56% dos casos. Esta inversão necessita de estudos, pois pode ser fruto do maior empoderamento feminino e, consequentemente, mais liberdade em relatar estes abusos, ou talvez estejamos vendo uma tendência de abusos sofridos por meninas, o que pode resultar em mais tragédias.

Esses números alarmantes destacam a importância de se ter canais de denúncia eficientes nas escolas. Este meio permite que alunos, professores e funcionários denunciem comportamentos suspeitos, ameaças e bullying, o que pode levar à identificação e à prevenção de um ataque.

A implementação de um canal de denúncia possibilita aos alunos se sentirem mais confortáveis em relatar comportamentos suspeitos, sabendo que suas informações serão mantidas em sigilo, evitando assim retaliações, e que as medidas apropriadas serão tomadas para proteger a escola.

Além disso, estes canais podem ser uma ferramenta valiosa para identificar alunos que estão passando por dificuldades emocionais ou mentais, como depressão, ansiedade ou Transtornos do Espectro Autista (TEA). Ao identificar esses problemas precocemente, as escolas podem oferecer suporte emocional e psicológico aos alunos antes que a situação piore e eles acabem cometendo um ato violento.

Existem várias medidas que as escolas podem tomar para criar um canal de denúncia eficiente. Entre elas está a promoção de uma cultura de segurança e responsabilidade, incentivando os alunos a denunciarem comportamentos suspeitos, o que cria um ambiente em que a denúncia é vista como algo positivo.

Outra ação importante é treinar os alunos e funcionários da escola sobre como identificar comportamentos suspeitos e como relatá-los de forma eficiente. É importante que a escola tenha uma equipe de segurança treinada para avaliar as informações recebidas e tomar as medidas apropriadas, garantindo a segurança de todos os alunos e funcionários.

Por fim, é importante lembrar que a implementação de um canal de denúncia eficiente é apenas uma das iniciativas que as escolas devem tomar para garantir a segurança de seus alunos. É importante investir em medidas de segurança física, como sistemas de vigilância e controle de acesso, além de promover a saúde mental e emocional dos alunos, oferecendo serviços de aconselhamento e apoio.

Em resumo, os canais de denúncia são uma ferramenta valiosa para prevenir ataques em escolas. Ao criar um ambiente seguro e promover uma cultura de segurança e responsabilidade, as escolas podem incentivar os alunos a denunciarem comportamentos suspeitos, prevenindo incidentes violentos e fatais.

*Maurício Fiss é diretor executivo da Aliant, empresa especializada em soluções para Governança, Compliance, Ética, Privacidade e ESG.

3 características de um Canal de Denúncias confiável

caracteristicas de um canal de denúncias

Por Carla Eloisa Rodrigues e Pedro César Sousa Oliveira*

Toda empresa, ao implementar uma estrutura de compliance, passa pelo período de adesão às práticas e ferramentas por parte dos colaboradores, considerando que a efetividade (e a confidencialidade) de tais instrumentos ainda é desconhecida pelos próprios colaboradores no momento da implementação. Um canal de denúncias confiável faz parte desse processo.

O Canal de Denúncias pode significar aos colaboradores a possibilidade e esperança de compartilhar e ver solucionadas situações inadequadas que estejam vivenciando, contudo, há sempre uma desconfiança inicial sobre a segurança de expor a situação e o medo de sofrer alguma retaliação por isso.

Nesse sentido, listamos 3 características de um Canal de Denúncias confiável que indicam a confidencialidade:

Garantia do anonimato e confidencialidade

Em primeiro lugar, o anonimato. O Canal de Denúncias deve oferecer a possibilidade do registro anônimo para aqueles que não se sentirem confortáveis em efetuar a denúncia de forma identificada, e, para aqueles que quiserem se identificar, deve garantir a confidencialidade dos seus dados, sem nunca expor essas informações ou utilizá-las de forma inapropriada.

Os dados de identificação do denunciante, devem ser utilizados apenas quando for necessário contato com a pessoa para maiores esclarecimento ou captura de novas informações. Fora isso, o foco da investigação deve ser no relato em si e nas pessoas denunciadas.

Controle e segurança

O segundo ponto é garantir que o sistema utilizado para registro das denúncias e armazenamento desses dados, esteja configurado com todos os requisitos e melhores práticas de segurança da informação.

O controle de acesso e a segregação de função também precisam estar bem definidos e aplicados no sistema, a fim de impedir acessos indevidos aos relatos, evitando assim, vazamento de informações e as consequências que ela pode trazer, como exposição do denunciante, perseguição, constrangimento, além da desconfiança que será refletida nos demais colaboradores sobre o uso do Canal de Denúncias.

Também estão associados a esse controle os procedimentos de auditoria e registro. Em regra, eles são ferramentas que registram as comunicações de modo que elas possam ser rastreadas, bem como os acessos e os respectivos tratamentos. Elas são responsáveis por garantir a confiabilidade dos procedimentos e posterior averiguação do resultado daquela denúncia.

Capacitação dos investigadores e processos definidos

O terceiro ponto que gostaríamos de abordar nesse momento, é a capacitação da equipe responsável pela condução da apuração das denúncias. Essa equipe precisa estar preparada para lidar com diversas situações que serão trazidas ao Canal de Denúncias.

A equipe precisa conduzir a apuração de forma profissional e eficiente, além de tratar toda e qualquer informação de maneira confidencial e sigilosa. Também deve estar amparada por processos bem definidos para que possam aplicar as ações e sanções necessárias de acordo com as políticas pré-definidas e dessa forma evitar o tratamento do caso de acordo com o julgamento pessoal de cada apurador.

Essas três características da condução adequada de um Canal de Denúncias poderão trazer maior confiança aos colaboradores que porventura precisem utilizar o Canal em algum momento de sua trajetória na empresa. A Aliant está preparada para ser sua aliada na implantação de um canal de denúncias eficiente e confiável.

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*Carla Eloisa Rodrigues é Gerente Sênior de Operações e Pedro César Sousa Oliveira é consultor de Pesquisa e Desenvolvimento, ambos na Aliant.

Assédio moral: problema caro, perigoso e que não pode passar despercebido

De acordo com dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), somente em 2021 foram registrados 52.936 processos motivados por assédio moral nas empresas. A estatística superou de maneira significativa a estatística do ano anterior, que registrou 12.529 casos levados à Justiça.

Por mais que o assédio moral passe longe de ser um fenômeno social novo, no meio jurídico o assunto não é tão antigo quanto a prática. O mestre em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela PUC/SP e sócio do Barcellos Tucunduva Advogados, Decio Daidone Jr., destaca que o assédio moral “se caracteriza por humilhações, cobranças constantes ou exposição do empregado a situações vexatórias ou constrangedoras, bem como críticas infundadas ou perseguições”.

O especialista lembra que o assédio, além de afetar a reputação da empresa, pode comprometer sua produtividade. Já para quem é assediado, além do dano à honra e à dignidade, a situação pode trazer sérios problemas clínicos e psicológicos. Por isso, a direção deve intervir ao menor sinal do problema.

“Se alguma atitude demorar para ser tomada, e houver mais de uma vítima, poderá ser considerado negligência da empresa, pois ela tinha fatos, elementos ou indícios de um comportamento desregrado”, explica o advogado.

A importância do canal de denúncias e as consequências do assédio

Segundo Cassiano Machado, sócio-diretor da ICTS Protiviti, o aumento dos relatos não se resume necessariamente a um “boom” de novos casos, mas sim pela adoção do canal de denúncias no ambiente empresarial (adoção espontânea e estimulada pela Lei Anticorrupção de 2013), o avanço do empoderamento e protagonismo dos colaboradores dentro das empresas e também o reconhecimento social sobre a importância da necessidade em seguir com uma denúncia, o que era enxergado de modo pejorativo.

Para combater o problema, um entendimento amplo sobre o assédio moral e o desenvolvimento de ações preventivas e corretivas devem encabeçar a estratégia de ação das empresas. Nesse contexto, a ferramenta se mostra de fundamental importância, à medida que as empresas têm melhor oportunidade de ação quando o problema é identificado em seu início.

Com a possibilidade de agir de forma rápida, as organizações são capazes de evitar que consequências graves possam vir a ocorrer tanto para elas próprias quanto, principalmente, para a vítima. A prática pode conduzir os indivíduos atingidos a problemas como ansiedade, depressão, dores de cabeça, distúrbios no sono, a percepção negativa sobre o ambiente de trabalho, dentre outras situações.

Além disso, os indivíduos que sofrem com o ato tendem a ter sua produtividade afetada, maior frequência de erros e a empresa encara um cenário maior de absenteísmo e turnover. “Se alguma atitude demorar para ser tomada, e houver mais de uma vítima, poderá ser considerado negligência da empresa, pois ela tinha fatos, elementos ou indícios de um comportamento desregrado”, explica Daidone Jr.

Como combater?

O grande desafio da liderança perante o assédio moral está no enraizamento dessa prática na cultura da organização. Nem todos enxergam e compreendem a gravidade do problema. Mais do que mudar o comportamento das pessoas, é preciso moldar o contexto em que elas co-existem, promovendo real conscientização e, consequentemente, uma mudança permanente de atitude.

Para Deives Rezende Filho, sócio fundador e CEO da Conduru Consultoria, o que está acontecendo na atualidade é uma espécie de “refinamento de assédio”. “Os novos modelos de trabalho chegaram com novas oportunidades para o assédio moral. Enquanto o estresse e excesso de tarefas deixam o trabalhador doente, o abuso de poder termina de destruir com a autoestima da pessoa. Os empregados, na maioria das vezes, acabam se submetendo a situações de assédio por se sentirem reféns e por medo de serem demitidos. Não há mais tempo para esperar: as empresas precisam, urgentemente, combater o problema através do investimento em ações que identifiquem os assédios desde o início”, diz.

Uma pesquisa da Harvard Business Review revela que funcionários infelizes produzem até 18% menos quando comparado aos demais. Já um estudo do iOpener Institute mostra que, quando motivados, os colaboradores são capazes de: produzir duas vezes mais, tirar 10 vezes menos licenças e aumentar em cinco vezes o tempo de permanência na mesma companhia.

O especialista em ética, diversidade e inclusão entende que faz parte de todos os ambientes corporativos, em especial os que trabalham com metas, a circulação de cobranças. Entretanto, é preciso que as exigências sejam feitas sem excessos verbais, ameaças, constrangimentos e exposição dos funcionários em questão.

“Adoção de código de ética, treinamentos com o corpo diretivo da empresa e também com os colaboradores, manuais de conduta, implementação de canais de denúncia e capacitação do RH para detectar rapidamente os casos e solucionar os conflitos são apenas algumas ações que ajudam no combate ao assédio moral. Após a constatação do assédio, é necessário que a empresa realize o acompanhamento e capacitação de profissionais capazes de auxiliar na solução do problema”, salienta Deives.

Talvez o impacto de mais fácil tangibilização seja a judicialização dos casos quando se obtêm uma clara dimensão do prejuízo financeiro incorrido pelas empresas ao serem condescendentes com a prática. Segundo uma análise feita pela ICTS Outsourcing baseada em informações do site JusBrasil, site que conecta pessoas à Justiça, um processo por danos morais tem valor médio de indenização de R$ 17.423,00. Com a soma dos custos advocatícios de 20% o montante por processo atinge a casa de R$ 20.907,60.

“Uma empresa que consiga capturar e atuar sobre cinco denúncias qualificadas de assédio moral por ano economizará cerca de R$ 100 mil ao evitar a judicialização destes casos. É um montante que sairia diretamente do resultado da empresa e que, agora, poderá ser utilizado em prol da sustentabilidade da organização, impulsionando vendas, eficiência operacional, satisfação dos empregados e um ambiente de trabalho ético e transparente“, exemplifica Machado.

Vale destacar que existem no Brasil leis municipais e estaduais que coíbem a prática do assédio moral no âmbito da Administração Pública. Também se encontra sob aguardo do Parecer do Relator na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) o PL 6757, que busca criar uma legislação federal abrangente.

Nesse contexto legal difuso, cláusulas da Constituição Federal, Código Civil e CLT vêm sendo utilizadas pelo Judiciário para balizamento e direcionamento da qualificação e punição da prática de assédio moral nas empresas, sejam elas privadas ou estatais.

Fonte: Opinião RH
https://opiniaorh.com/2022/06/20/assedio-moral-problema-caro-perigoso-e-que-nao-pode-passar-despercebido/

Como prevenir assédio moral e sexual no ambiente de trabalho?

assédio

A conduta incômoda que conhecemos como assédio já se fez presente, pelo menos uma vez, na vida da maioria das pessoas, especialmente mulheres.

Quem não conhece ao menos uma mulher que já passou por uma situação desagradável envolvendo um comportamento assediador?

Infelizmente, o panorama não muda muito quando levamos o tema para o contexto profissional.

Levantamentos recentes apontam que, no ano de 2020, 11,8% das denúncias de irregularidades no ambiente de trabalho foram sobre assédios moral e sexual e aproximadamente metade dos denunciantes são mulheres.

Sabendo que esse cenário não é novidade, e, ainda assim, continua velado na maioria das organizações, como pensar em medidas de prevenção?

Quando se trata de assédio, falar em um programa de prevenção significa começar da base.

Muitos dos ambientes em que o assédio acontece já contam com uma cartilha interna sobre atos pontuais que os colaboradores devem evitar, mas adotar medidas para transformar mentalidades e condutas desrespeitosas significa ter que ir além.

Pensando na esfera sexual, um assediador se comporta de forma agressiva porque suas próprias crenças foram moldadas por uma masculinidade tóxica com a qual a vida inteira teve contato – tomando-se por base um sujeito do sexo masculino, como ocorre na maioria esmagadora dos casos.

Para mudar o modo de pensar de uma pessoa assim, não basta meramente pedir que ela assine o documento interno formal sobre o tema.

As empresas não dão um único treinamento e-learning e acham que aquele indivíduo que se portou em seus anos de empresa de maneira inconveniente passe, no dia seguinte, a ser um exemplo de boas maneiras e de respeito no relacionamento interpessoal.

O programa de prevenção tem que se respaldar em documentos formais, sim, pois é preciso haver parâmetros para que indivíduos saibam o que é esperado dentro da organização e como serão penalizados se descumprirem as regras.

Entretanto, é a maneira de pensar que precisa ser trabalhada antes de qualquer coisa. As medidas de transformação devem se iniciar por uma cultura de prevenção, portanto. Mas, como se muda uma cultura?

Esforços de todos os lados precisam se reunir para que a linguagem e o posicionamento da instituição reflitam o peso que ela dá a alguns valores inegociáveis.

Neste cenário, a quebra de paradigmas ultrapassados e a curva de transformação cultural inicia-se com exemplos de quem tem o poder decisório e precisa se propagar através de simultâneos elementos da governança corporativa.

A partir de um engajamento real, manifesto, contínuo e robusto dos dirigentes como pontapé, os departamentos de compliance, comunicação interna, jurídico, gestão de pessoas, marketing, gestão de riscos, controles internos, relações com investidores e todos os seus respectivos executivos podem começar a dar um só tom e contorno à fala de respeito.

Operacionalizar isso dependerá de ferramentas implementadas e monitoradas em cada uma dessas frentes, com um unido e potente intuito: transmitir a mensagem de que não há lugar, naquele ambiente e naquelas relações, para qualquer violência em forma de assédio.

Nessa linha, iniciativas estruturadas dentro de um bom plano de comunicação alinhado ao compliance podem ser extremamente eficazes em três sentidos.

O primeiro se refere à percepção do público de que o tema é tratado com efetiva seriedade pela organização, por ver que ela o prioriza nos debates e ações divulgadas e emprega recursos para isso.

O segundo trata da repetição do discurso, que leva à assimilação e naturalização do comportamento esperado. Quanto mais a empresa reforçar a relevância que dá ao tema, maior a interiorização de cada profissional, e, por consequência, os reflexos disso no trato dele no dia a dia.

Por fim, o terceiro ponto está relacionado à existência de um balanço de consequências claro e formal, dando o reforço da mensagem que a organização quer passar: “não toleramos atitudes assediadoras e puniremos quem se comportar assim”.

Essas três frentes, reunidas, agem como mola propulsora para o abandono de uma cultura desfavorável, e, muitas vezes, tóxica, que deve ser transformada para algo positivo e perene na instituição.

É uma caminhada, aparentemente vagarosa, mas que pode ser muito bem-sucedida a partir do momento em que a pauta do respeito e da intolerância ao assédio já tenha alcançado a consciência individual e o senso de coletivo dos profissionais, quando cada um estará policiando as suas próprias atitudes, observando as de colegas, fazendo coro aos valores corporativos de valorização às pessoas e reportando indícios de violação aos limites impostos para um ambiente de trabalho saudável.

O modo de operacionalizar essas iniciativas deve partir de um brainstorming criativo por meio do qual saiam insights para uma customização de medidas.

Isto significa que não funcionaria apresentar uma receita de sucesso como algo imutável, pois o que vai funcionar em cada empresa depende do seu porte, setor, composição, atividade econômica, a cultura do local onde está inserida, dentre outros fatores.

Mas há alguns elementos indispensáveis e algumas pistas do que pode funcionar – e muito bem.

A começar pela implantação de um canal de denúncias isento e externo a fim de centralizar o recebimento dos relatos e garantir a privacidade dos denunciantes; a empresa só tem como tratar, afinal, os incidentes que vierem ao seu conhecimento.

Enquanto propicia essa plataforma de apoio aos seus funcionários, solidificando a garantia de que serão ouvidos, é preciso promover a política de consequências para casos identificados de agressões sexuais e morais e aplicá-la, independentemente de pessoas ou cargos envolvidos.

Também deve-se estruturar um departamento responsável por conduzir a apuração dos casos, com isenção, assertividade e agilidade necessárias, conforme diretrizes internas estabelecidas.

Sempre que possível, a organização deve mencionar em documentos institucionais a existência de toda essa estrutura montada para acolher com seriedade as ocorrências.

Ao mesmo tempo, estimular a adoção de um programa amplo de comunicação interna, que pode espalhar a mensagem das maneiras mais criativas e versáteis possíveis.

Aqui cabem transmissão de vídeos educativos, circulação de mensagens institucionais, divulgação de carta do presidente patrocinando pessoalmente o tema, treinamentos, games, fóruns de debates, campanhas e iniciativas ligadas a datas simbólicas, dinâmicas interativas, entre outras.

Quaisquer ações de conscientização e disseminação são válidas com o objetivo de manter viva e prioritária a questão da necessidade de respeito entre os profissionais.

Nessa linha, as áreas de negócios, suportadas pela comunicação e endomarketing, e com o apoio aberto e firme da alta administração, se propõem a uma só voz, forte e coesa.

Essa voz, numa linguagem simples e direta conectada à identidade organizacional, vai repercutir impedindo a continuidade de atos indesejados e enraizando novas mentalidades para uma cultura sadia de respeito, transparência, bem-estar e prosperidade dos negócios e das relações.

Por Livia Cuiabano Pinheiro é consultora de Compliance, ESG & Sustentabilidade da ICTS Protiviti.

Fonte: Estadão | Blog Fausto Macedo
https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/como-prevenir-assedios-morais-e-sexuais-no-ambiente-de-trabalho/

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Como evitar conflitos de interesse em investigações empresariais?

investigação

Em todas as etapas de uma investigação empresarial, uma das preocupações mais patente refere-se ao fluxo de informações, pois qualquer vazamento arriscará sua integridade, podendo impactar ou inviabilizá-la. Desta forma, é recomendável que algumas pessoas não acessem determinadas informações.

Antes mesmo da existência de qualquer evidência, já há a necessidade de estabelecer quem deve receber e tratar essas informações, assim como o que deve ser feito imediatamente. Vale imaginar uma acusação envolvendo um Chief Compliance Officer (CCO) que tenha acesso ao canal de denúncias. Neste caso, não apenas a investigação está comprometida, como o denunciante que, se não tiver optado pelo anonimato, poderá sofrer represálias internas, cenário ainda muito comum.

Por isso, é importante ter uma estrutura de governança bem redigida, com diretrizes claras que vão desde a descoberta do fato até como endereçá-lo. A empresa precisa decidir para quem o fato será repassado considerando os seguintes fatores: possíveis suspeitos e potenciais lesados. Isso significa que a denúncia deve ter seu acesso limitado aos possíveis departamentos envolvidos, no caso deste CCO, uma sugestão seria seguir ao conselho, à outra diretoria ou mesmo para o CEO. O importante é sempre evitar que possíveis envolvidos ou pessoas com interesses pessoais na investigação tenham acesso às informações.

Uma situação dessa confirma as vantagens de ter um canal externo de denúncias para poder receber as acusações, tratá-las e endereçá-las, evitando possíveis conflitos de interesses. Também é relevante que todo o fluxo de contratação e pagamento dessas empresas terceirizadas sigam um caminho distinto, pois, dependendo de como constar, alguém na área de suprimentos ou finanças poderia perceber que há uma investigação em curso.

Ciente disso, o próximo passo é escolher a equipe que conduzirá a investigação e aqueles que receberão os reportes. Para tal, deve-se cruzar os vínculos das pessoas envolvidas com os suspeitos e o denunciante, deixando de selecionar o profissional que possa interferir ou comunicar terceiros pois uma amizade pode influenciar na conclusão da investigação ao alertar o suspeito, que poderia destruir evidências em ativos como celulares ou computadores.

Ao lidarmos com casos de máximo potencial lesivo ou envolvendo o alto escalão de uma determinada empresa, boas práticas de mercado têm optado por escolher uma investigação externa, que seja realizada por uma equipe independente e renomada. Seguindo por esse caminho de terceirização, os riscos de conflitos de interesse são minimizados, garantindo uma investigação sem vínculos pessoais e com o único intuito de apurar o que efetivamente ocorreu.

É um assunto simples, mas que não pode ser negligenciado, o que deixaria a empresa com a integridade suspeita. Uma fraude de grandes proporções, por exemplo, quando investigada pela equipe interna, que tem objetivos alinhados com a alta administração, poderia levantar dúvidas de um investidor ou uma auditoria sobre a possibilidade de as conclusões terem sido minimizadas.

Deve existir uma política clara que minimize possíveis falhas nas escolhas pela equipe responsável por uma investigação e, também, ajudar nesse processo para que quaisquer suspeitos de atos irregulares sejam tratados com máxima imparcialidade.

Todo esse cuidado é considerado por dois principais motivos: no início de uma investigação não se sabe o que realmente será encontrado e quais serão os envolvidos. Além disso, independentemente de seu resultado, a qualquer momento a metodologia de uma investigação pode ser questionada.

Por André Navarro Lourenço é consultor da área forense e de investigação empresarial da ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

Fonte: Legis Compliance
https://www.legiscompliance.com.br/artigos-e-noticias/3172-como-evitar-conflitos-de-interesse-em-investigacoes-empresariais

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EY vende carteira de clientes de serviço de canal de denúncia à brasileira ICTS

Em meio ao aquecido mercado de fusões e aquisições neste ano, as transações têm alcançado setores menos tradicionais. A empresa brasileira de gestão de riscos ICTS comprou a carteira de clientes da ‘Big Four’ EY para contratos de prestação de serviço de canal de denúncias, ferramenta usada pelas áreas de compliance de empresas. O valor da transação não foi informado.

O negócio é o segundo feito pelo grupo brasileiro num momento em que grandes nomes do setor de auditoria ajustam a prioridade de seus negócios. No ano passado, a ICTS já havia comprado a carteira do mesmo serviço que antes pertencia a outra ‘Big Four’, a PwC. Um contrato de gestão de canal de denúncias custa em média R$ 50 mil por ano. A ICTS tem mais de 400 clientes na área e pretende seguir com aquisições em risco e compliance. A empresa tem 400 funcionários e prevê faturar R$ 136 milhões neste ano.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Blogs
https://economia.estadao.com.br/blogs/coluna-do-broad/ey-vende-carteira-de-clientes-de-servico-de-canal-de-denuncia-a-brasileira-icts/

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Canal de denúncias e investigação empresarial: garantia à integridade corporativa

Investigação

A normatização da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a constante evolução das práticas de compliance, que se referem ao cumprimento das políticas de negócio e de atividades desenvolvidas pelas empresas, tornaram o mundo corporativo preocupado em garantir um ambiente ético e transparente nas negociações e na forma como os colaboradores e executivos se portam dentro e fora da companhia.

Sendo assim, o canal de denúncias é um forte aliado para assegurar condutas éticas em conjunto com outras iniciativas, tais como a criação e adoção de códigos de ética e conduta e de políticas de conformidade. Numa análise realizada pela Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), constatou-se que 39% dos casos de fraude foram detectados por meio do recebimento de denúncias. Portanto, é inegável que o seu uso se tornou essencial na apuração de desvios éticos.

Um canal de denúncias efetivo é aquele capaz de exercer simultaneamente os papeis de desencorajar o descumprimento das “regras do jogo”, de pôr fim às irregularidades e informalidades, além do papel de promover um constante aprimoramento de ações que pretendam eliminar, ou ao menos reduzir a probabilidade de reincidência das irregularidades denunciadas.

Porém, sem uma investigação empresarial eficiente, que apure nos mais ínfimos detalhes a denúncia apresentada, de nada adianta a implementação de uma ferramenta tão poderosa e que vem se mostrando de extrema importância para todas as empresas, independentemente de seu porte.

Receber a denúncia, mas não dar o devido tratamento a ela, é quase como se não a tivesse recebido. Por isso, além da estruturação de uma área de Enterprise Risk Management (ERM) e da adoção de um sólido código de ética — que ficará responsável por elencar e definir sanções para casos de conflitos de interesse, transações com partes relacionadas, brindes e presentes, patrocínios e doações, e práticas anticorrupção — é também essencial que se dê o correto tratamento a estas denúncias.

Daí a importância de integrar o canal de denúncias a procedimentos investigatórios de checagem. Somados, eles dão mais celeridade aos processos de apuração dos fatos e, se for o caso, à aplicação da política de consequências, além de permitir o aprimoramento constante do código de ética, reduzindo, desta forma, a possibilidade de perdas para a organização, sejam financeiras ou reputacionais.

Ao tratar uma denúncia acerca de desvios financeiros, por exemplo, um dos métodos adotados refere-se à análise de compatibilidade patrimonial daquele denunciado. Já em casos de constatação de um relacionamento indevido de uma empresa parceira ou de um executivo do alto escalão com políticos ou entidades governamentais, seja da administração pública direta ou indireta, aplica-se o background check para verificação de riscos financeiros, regulatórios e reputacionais, dentre outras atividades investigativas. Por outro lado, a investigação de ativos de uma companhia e de seus sócios tende a verificar a tentativa de blindagem patrimonial para cometimento de fraude a credores.

Contar com uma estrutura consolidada para não só atender e prover o canal de denúncias, como também iniciar uma investigação sobre os relatos recebidos de maneira rápida, confidencial e segura, seja por meio do uso de ferramentas especializadas ou da realização de background check, deve ser um ponto a ser corporificado pelo setor de compliance de qualquer companhia.

Ao demonstrar o comprometimento nessa área, principalmente ao mercado e a possíveis investidores, sem sombra de dúvidas se faz crescer a percepção ética e a confiabilidade do público em geral, aumentando a probabilidade de se desenvolver negócios sustentáveis, ao mesmo tempo em que se protege não só a marca e a reputação, mas também a segurança do negócio.

Por Paulo Barreto é consultor de diligências na ICTS Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados.

Fonte: Consultor Jurídico
https://www.conjur.com.br/2021-jun-04/opiniao-canal-denuncias-garantia-integridade-corporativa

Canais de denúncia evoluem no Brasil e quantidade de delações dobra, em 5 anos

Canal de denuncias

Fundamental no fortalecimento do processo de integridade nas empresas e organizações, os Canais de Denúncia vêm ganhando mais relevância, nos últimos cinco anos, no Brasil. A afirmação é do palestrante do webinar ‘Canais de denúncia: experiência global como instrumento de Ética & Compliance e o caso do IES’, Fernando Scanavini, que é diretor Executivo de Operações na ICTS Protiviti, especializada no tema e responsável pelo Canal de Denúncia independente do Instituto Ética Saúde. O evento aconteceu no dia 26 de maio.

Na abertura, o integrante do Conselho de Ética do IES, Edson Luiz Vismona, destacou que o Instituto tem se desdobrado em ações, na definição de normativas e orientações, mostrando que as boas práticas devem ser incentivadas. “Essa é uma contribuição efetiva que o IES dá para estimular o setor de saúde. E esta rede precisa se consolidar cada vez mais, com base em princípios éticos concorrenciais e éticos voltados para as práticas junto ao mercado”. Citou a importância do canal de denúncias neste contexto. “Estamos saindo da visão de tese (dever ser) para colocar em prática. Essa é a demanda da sociedade e do consumidor, que cada vez mais identifica e valoriza a reputação das empresas. É preciso depurar o mercado, fortalecendo as companhias que tanto investem em iniciativas para combater desvios que corroem a competitividade do setor. Nesse sentido, o IES, em parceria com demais entidades da saúde, tem intensificado essas ações de integridade”.

Fernando Scanavini definiu os canais de denúncia como “a principal porta de entrada para o conhecimento do que acontece nas organizações para que se siga com as apurações e, consequentemente, para que os negócios ocorram de maneira ética e dentro das melhores práticas de mercado”.

Segundo ele, nos últimos cinco anos, a ICTS registrou um crescimento de mais de 100% no número de denúncias recebidas por grupo de mil pessoas. Em 2015 eram 2,4 relatos mensais a cada 1 mil colaboradores, saltando para 4,99 em 2020. “Isso mostra o nível de confiança nesta ferramenta. Neste período, as empresas e organizações ampliaram a disponibilização desses canais e houve maior exposição na mídia de temas que antes não eram abertamente discutidos pela sociedade (corrupção, assédio, racismo e violência contra a mulher, entre outros)”, analisou.

O especialista explicou o ciclo de um canal de denúncia, desde a captação, análise preliminar, investigação, conclusão e deliberação pelo comitê de ética. E destacou como as informações captadas pelo canal são importantes no tratamento de vulnerabilidade e riscos; nas melhorias em mecanismos de gestão e controle; e no treinamento e comunicação. Frisou que “cada vez mais os denunciantes têm colocado elementos que permitem a apuração do caso. Isso é muito importante. Percebemos um aumento de denúncias procedentes de 31% para 37%. Essa evolução progressiva da procedência (comprovação das denúncias após condução da apuração) demonstra ampliação, ano após ano, da maturidade do Canal nas organizações. O efeito combinado do maior nível de qualificação (aproveitamento dos relatos registrados para condução de apurações objetivas) e da maior procedência amplifica o retorno do Canal à organização em termos qualitativos e quantitativos”, afirmou Scanavini.

O diretor Técnico do Instituto Ética Saúde, Sérgio Madeira, moderador do webinar, apresentou os dados do Canal de Denúncias do IES: 684 recebidas e tratadas; 187 encaminhamentos para órgãos de governo que tem acordo de cooperação firmado com o IES; 108 denúncias finalizadas por falta de inconsistência ou fora do escopo do IES; 11 recomendações e 44 advertências. E destacou o rigor com que o Canal é tratado internamente, desde a criação. “O Instituto assegura o absoluto sigilo do conteúdo denunciado e do denunciante. Ao longo desses anos, não temos nenhum histórico de vazamento de informações. Só tem contato com os relatos o assessor de compliance que qualifica as denúncias e o Conselho de Ética que as analisa. Apenas os casos previstos – gravíssimos e comprovados – tem divulgação prevista em instrução normativa”, enfatizou.

Edson Vismona voltou a citar a importância da qualidade das informações. “Este é um desafio permanente, identificar os elementos mais concretos e formar um juízo, uma avaliação mais precisa com relação a denúncia”, finalizou.

O webinar teve o apoio institucional da ABIMO, ABRAIDI, ABRAMED, IBROSS e Observatório Social do Brasil. O conteúdo completo está disponível no YouTube do Instituto Ética Saúde: www.youtube.com/watch?v=KdcERv0GnzY.

Por Fernando Scanavini, diretor Executivo de Operações na ICTS Protiviti

Fonte: Portal Hospitais Brasil
https://portalhospitaisbrasil.com.br/canais-de-denuncia-evoluem-no-brasil-e-quantidade-de-delacoes-dobra-em-5-anos/

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