Assédio nas organizações: como a Globo poderia ter prevenido caso denunciado por Dani Calabresa?

Assédio

Empresas precisam ter um “plano de ação consistente e eficaz” para lidar com situações de assédio, afirma especialista

Uma extensa reportagem publicada nesta sexta-feira, (4) pela revista piauí, com acusações de assédio feitas pela atriz Dani Calabresa contra Marcius Melhem, ex-chefe do departamento de humor da TV Globo, levantou um grande debate nas redes sociais sobre assédio dentro das organizações.

A matéria, assinada pelo jornalista João Batista Jr, afirma que a atriz sofreu assédio sexual por parte de Melhem tanto dentro do ambiente de trabalho como em uma confraternização da equipe do programa Zorra em um bar no Rio de Janeiro. Em uma das ocasiões, ele teria agarrado e tentado beijar Calabresa à força. Outras mulheres, que preferiram não se identificar, também relataram à revista situações de assédio sexual e moral.

O ex-diretor nega as acusações, e a Rede Globo afirmou, em nota, que “todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado criteriosamente assim que a empresa toma conhecimento”, e que “não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e incentiva que qualquer abuso seja denunciado”. A discussão em torno do caso levanta a questão: o que as empresas podem fazer para evitar casos de assédio sexual e moral

Cenário marcado por silêncio

Um levantamento desenvolvido pelo LinkedIn em parceria com a consultoria de inovação social Think Eva, publicado em outubro, indica que 95% das mulheres sabem o que é assédio sexual no ambiente de trabalho, mas pouco mais de 51% falam com frequência sobre o tema. E, enquanto o problema é de larga escala, atingindo uma em cada duas mulheres, apenas 5% delas recorre ao RH das empresas para reportar um caso. O baixo índice de queixas, de acordo com a pesquisa, está associado ao senso de impunidade, ineficiência de políticas internas e ao medo, além do sentimento de culpa pelo assédio sofrido.

De acordo com psicóloga e consultora de RH Meiry Kamia, quando de trata de assédio, muitas pessoas desistem de entrar com ações por temerem perder o emprego ou ficarem “manchados” na área de atuação. “A necessidade de haver testemunhas que comprovem o assédio também dificulta o processo, pois os colegas de trabalho também temem perder o emprego”, explica a consultora.

Para Meiry, o melhor caminho rumo à repressão do assédio é sempre a prevenção. “O assédio se instala nas organizações quando a vítima não é ouvida e o diálogo é impossível. Prevenir significa criar políticas que facilitem o diálogo e a comunicação verdadeira, o que inclui a educação dos gestores ensinando-os a lidar com tais questões levando em conta a natureza humana”, afirma a psicóloga.

A especialista em compliance Livia Cuiabano, da empresa especializada em compliance e soluções para gestão de riscos ICTS Protiviti, afirma que o assédio é um dos temas “espinhosos” nas corporações. “Quando um caso de assédio aparece, seja moral ou sexual, o clima corporativo é abalado, a privacidade dos envolvidos fica vulnerável, as opiniões se dividem, há temor, insegurança e polêmica internas e, em caso de repercussão na mídia, abalo na imagem e reputação da empresa”, explica.

Livia também reforça a importância da prevenção do assédio, e diz que empresas precisam ter um “plano de ação consistente e eficaz” para lidar com estas situações. “A intolerância ao assédio deve ser um dos valores da organização e, o combate, um de seus princípios de conduta.” Abaixo, ela compartilha alguns pontos que considera essenciais para combater o assédio.

Como prevenir o assédio nas organizações

1. Estratégia para encarar o problema

O primeiro passo, de acordo com Livia Cuiabano, é elaborar a estratégia para combate do assédio, precisa ir além de conhecer possíveis implicações sob o viés trabalhista, criminal, civil e administrativo, e deve refletir a cultura ética organizacional da empresa, que deve ser seguida, antes de tudo, pela alta gestão. “Envolve atração e retenção de talentos, bom clima interno, diversidade e outros fatores que se conectam com planos de crescimento dos negócios. Conhecer o perfil dos colaboradores é igualmente decisivo para se estabelecer uma estratégia que leve a abordagem à compreensão de todos, transformando a forma de pensar e agir”, explica.

2. Definição de normas

O que é ou não aceitável na instituição? É fundamental que as regras sejam formalizadas por escrito. Empresa pode começar com a elaboração de um código de ética, que depois pode ser complementado por políticas e procedimentos específicos. “Os comportamentos e atitudes esperados devem ser listados, assim como os que não serão tolerados. A linguagem e os exemplos devem ser compatíveis com a realidade da organização”, diz Livia Cuiabano.

3. Treinamentos

Ações de prevenção ao assédio devem ser trabalhadas em toda a empresa, lembrando os colaboradores que o respeito é uma condição indispensável para a convivência no ambiente de trabalho. “Para tanto, devem ser organizados treinamentos periódicos orientando sobre as condutas reprováveis e as balizas éticas pré-estabelecidas. Eles devem se amparar, ainda, em ações de comunicação e endomarketing efetivas para a conscientização quanto à repulsa ao assédio, como mensagens institucionais, vídeos educativos, dinâmicas interativas, cartilhas, games etc”, recomenda Livia. De acordo com ela, é indispensável customizar o conteúdo para cada público-alvo.

4. Canal de denúncias

“É imprescindível que haja canais por meio dos quais os indivíduos possam submeter as ocorrências ou casos suspeitos, possibilitando a realização de um processo investigativo. Eles devem ser geridos de forma isenta, com profissionais capacitados para a escuta ativa dos relatos de assédio”, diz Livia. Todos os colaboradores precisam confiar que organização leva o assunto a sério, e para isso toda denúncia deve ser devidamente apurada, seguindo um procedimento formal e isento para a apuração dos fatos, com total sigilo.

5. Proteção às vítimas

Como se trata de assunto delicado, empresas precisam entender que o processo é muito difícil para vítimas. “Expor o caso é, muitas vezes, expor ofensas e constrangimentos que já atingiram a dignidade, personalidade e integridade psíquica e física”, diz Livia. Por isso, é preciso ter o cuidado máximo para acolher a demanda do colaborador, e a organização precisa estimular e proteger quem precisa ser ouvido. “Empresa deve proteger, oferecer discrição e a não represália aos denunciantes de boa-fé, de modo a proporcionar o clima de confiança necessário para que o reporte seja feito”, explica a especialista.

Para ela, esse plano de ação, quando implementado com engajamento da alta direção, é capaz de promover “uma mudança na cultura corporativa para um local onde todos sejam ouvidos, estejam comprometidos e desejem estar: onde o respeito não é luxo, mas sim, condição indispensável”.

Por Livia Cuiabano, especialista de compliance na ICTS Protiviti

Fonte: Administradores.com
https://administradores.com.br/noticias/como-evitar-assedio-sexual-globo-dani-calabresa-marcius-melhem

O canal de denúncias como aliado contra a pandemia

Canal de denúncias

A covid-19 mostra como o canal de denúncia pode ir além do compliance e apoiar o RH das empresas

As mudanças trazidas nas organizações com a chegada do novo coronavírus, que forçou a adoção do home office, por exemplo, ampliaram a capacidade das ferramentas de contato disponibilizadas aos colaboradores para fins mais específicos, trazendo um apoio singular neste período de pandemia. Este é o caso do canal de denúncias.

Adotado pelas empresas como saída para uma gestão mais íntegra e transparente, voltando-se às práticas de governança, o uso desse recurso mostrou sua versatilidade como ferramenta de comunicação direta dos colaboradores com as equipes de gestão, tornando-se um braço para apoiar, principalmente, a área de recursos humanos. Aprendemos com a covid-19 que não é só de denúncia que vive um canal de ética e compliance.

O CANAL DE DENÚNCIA AINDA TRAZ UM SENTIMENTO DE ACOLHIMENTO ÀS PESSOAS, QUE PODEM SE MANIFESTAR DE FORMA ANÔNIMA OU NÃO

Relatos relacionados à pandemia desde o início do agravamento da crise passaram a responder por aproximadamente 20% dos contatos numa operação tradicional de canal de denúncia. Falta de equipamento de proteção individual (EPI), comportamento inadequado que expõe pessoas ao risco da doença, dúvidas relacionadas ao home office, pedidos de ajuda, entre outras dúvidas que ocorrem com um trabalho a distância da gestão das empresas são algumas das questões demandadas no canal de denúncias.

Por se tratar de uma ferramenta confiável e direta de comunicação com as organizações, esse serviço tem se mostrado importante e necessário neste momento atípico, fazendo com que as informações cheguem rapidamente às equipes de gestão e de recursos humanos, que podem tomar decisões com mais agilidade.

Neste cenário, o mais importante foi constatar a capacidade de adaptação das equipes de atendimento e dos sistemas ao momento da crise, possibilitando às empresas terem em mãos uma ferramenta de concentração das informações e de distribuição das tarefas para o tratamento da crise, além de permitir um acompanhamento da execução de cada demanda em tempo real.

Mais do que um ponto de contato à disposição do colaborador, o canal de denúncia ainda traz um sentimento de acolhimento às pessoas, que podem se manifestar de forma anônima ou não, de acordo com sua vontade.

Por Fernando Scanavini é diretor de operações da ICTS Protiviti

Fonte: Revista Melhor
https://revistamelhor.com.br/o-canal-de-denuncias-como-aliado-contra-a-pandemia/

O que você precisa saber sobre treinamento de Compliance

treinamento-de-compliance

A ética e a transparência são princípios fundamentais que devem fazer parte do dia a dia das empresas. A condução dos negócios baseada nesses princípios proporciona um crescimento saudável, continuidade e reconhecimento no mercado. Além disso, os stakeholders e instituições financeiras se sentem mais seguros em realizar os seus investimentos em empresas reconhecidas por possuírem práticas éticas e transparentes. E o treinamento de compliance é um assunto importante a ser tratado.

Sendo assim, uma das melhores formas dos colaboradores conhecerem e aplicarem os princípios e valores de uma organização em seu dia-a-dia é por meio de treinamento de compliance e comunicação eficaz e efetiva.

O principal objetivo do treinamento de compliance deve ser conscientizar os colaboradores sobre os comportamentos, regras internas, valores, princípios previstos no código de conduta ou políticas internas. Deve, também, reforçar que qualquer atitude antiética pode impactar a imagem da empresa e a carreira do próprio colaborador.

Importância de um treinamento de compliance

O treinamento de compliance é um elemento imprescindível dentro dos pilares de um Programa de Compliance. Por meio dos treinamentos, a empresa direciona a forma que os seus funcionários devem atuar conforme as estratégias e objetivos definidos e aprovados pelo Comitê de Ética ou Alta Administração.

Podemos dizer que o treinamento de compliance é uma ação de prevenção e orientação ao funcionário das condutas esperadas. É, também, a disseminação da cultura de compliance. Dessa forma, a participação de toda a companhia é fundamental para garantir que todos estejam alinhados.

Sendo assim, considerando a efetividade do Programa de Compliance, seguem algumas dicas que devem ser observadas sobre como realizar um bom plano de treinamentos de compliance.

1) Crie o seu plano de comunicação e treinamento

Toda empresa deve elaborar o seu plano de treinamento, definir o formato e metodologia além de estabelecer a quantidade adequada, formato, público-alvo, tema, área e cargos.

Este plano deve ser simples e eficaz, e abordar temas relevantes para a empresa e para cada público. A aprovação dos planos pela área de Compliance é obrigatória.

2) Utilize as denúncias recebidas para definir temas para treinamentos e comunicação

As denúncias recebidas podem ser utilizadas e exploradas nos treinamentos e comunicação da empresa, desde que seja respeitada a confidencialidade.

O objetivo do uso das denúncias como tema é para reforçar as diretrizes da empresa previstas no Código de Conduta ou políticas internas, e em nenhuma hipótese, poderá expor envolvidos nas situações.

3) Conheça o seu público-alvo

Para iniciar o planejamento do seu treinamento, é imprescindível conhecer o seu público e a cultura deste público. Cada localidade (país/estado/cidade) possui uma cultura própria.

O respeito a essas diferentes culturas no momento da elaboração do treinamento irá garantir que mensagem de conscientização para os colaboradores seja repassada da melhor forma.

4) Defina a metodologia e abordagem a serem aplicados

Após conhecer o público-alvo, é o momento de definir qual metodologia e abordagem se enquadram a esse público. Treinamentos presenciais são importantes, mas esbarram em limitação de espaço e capilaridade, principalmente para operações pulverizadas.

Treinamento de compliance online e ao vivo vêm se mostrando eficientes para minimizar estas questões. Outra opção é capacitar multiplicadores, que podem agir em diferentes geografias.

E-learning é uma boa opção para conteúdo mais massificados e conceituais, onde a interação com o apresentador e com os demais colaboradores não é o mais importante.

Baseado nestas definições, deve-se desenvolver o conteúdo dos slides, pois estes sempre devem ser focado para cada público e formato. Além disso, os slides devem ser “limpos” e de preferência contendo mais figuras ao invés de longos textos.

As imagens costumam marcar a memória dos participantes e facilita a associação em futuras situações. Inclua também frases ou perguntas provocativas para que os colaboradores se envolvam mais nos treinamentos. Utilizar vídeos e cases com opções de respostas ajudam a manter um maior engajamento dos participantes, sendo muito úteis no caso de e-learnings.

5) Tenha uma linguagem agradável e adequada ao público alvo

A linguagem utilizada durante o treinamento deve ser simples e agradável para o ouvinte. Por exemplo, a mensagem de um treinamento com a utilização somente de termos técnicos pode não ser bem absorvida pelo público.

A linguagem deve aproximar o público ao conteúdo do treinamento, por isso, a utilização de figuras, reportagens, vídeos, ou dinâmicas pode ajudar para que a mensagem repassada seja assertiva e atrativa.

6) Apresente cases para discussão

O uso de dilemas éticos é uma ótima forma de reter atenção do público. Uma dica para esse momento é dividir os participantes em grupos, solicitar que o dilema ético seja discutido e que uma solução seja encontrada.

O ponto de atenção é para a definição dos cases, pois, devem ser adequados para o público ouvinte e relacionados aos negócios da empresa. Os cases também podem ser utilizados em e-learning, com animações e opções de repostas, mostrando as consequências de cada uma.

7) Metodologia de storytelling e gamificação

A metodologia de storytelling é uma ferramenta utilizada para falar sobre temas no geral por meio de uma história contada. Nesse contexto, os personagens são criados e há um engajamento maior do público alvo.

Essa técnica ativa a atenção, criatividade, curiosidade, interesse sobre o assunto abordado e a facilidade para repassar a mensagem pretendida. Além do storytelling, a gamificação também é uma maneira didática de repassar o conteúdo. Ele ajuda a envolver e engajar o público durante o treinamento para a solução de dilemas do dia a dia utilizando-se jogos.

8) Avaliação da qualidade do treinamento

A avaliação final dos treinamentos pelos participantes é fundamental para identificar os pontos de melhoria e garantir que a metodologia dos próximos se enquadrem no perfil daquele público. Além disso, por meio da avaliação também poderá ser mensurado a retenção dos colaboradores.

Como conclusão, reforço que um treinamento de compliance com a ausência de apoio da alta direção, por meio do exemplo (walk the talk), será um investimento sem retorno esperado para a empresa.

Não existirá mudança de cultura ou engajamento dos colaboradores em participar dos treinamentos de compliance se os membros da Alta Administração não forem o exemplo e caminharem de acordo com a ética e valores da empresa.

Por Patricia Gobbi é consultora de Compliance na ICTS Protiviti

O impacto do comportamento nas redes sociais na empresa

reputação

É raro encontrarmos, nos dias de hoje, alguém que não esteja presente no Facebook, no Instagram, no Twitter ou em outra mídia social, concorda? O aumento da interação das pessoas na internet tem feito com que o comportamento nas redes sociais seja mais monitorado pelas companhias.

Em uma era em que se fala sobre relações públicas na internet, devem ser tidos cuidados não só pelo relacionamento puro e simples, mas também com a administração estratégica da comunicação. Aquilo que os funcionários de uma empresa publicam nas redes sociais, por exemplo, traz impacto para as imagens organizações.

Quer saber mais sobre o impacto que o comportamento nas redes sociais traz para as empresas? Então continue a leitura!

Como o comportamento nas redes sociais, tido pelos funcionários, impacta as empresas?

Antes de entrarmos na questão das redes sociais propriamente dita, é importante retomarmos um dos preceitos básicos da comunicação empresarial. Trata-se da ideia de que tudo comunica ou transmite alguma informação.

Os uniformes dos funcionários, o crachá que eles utilizam, a saudação que é dada a alguém que liga para o telefone da empresa, a forma como um e-mail é escrito, entre outras interações, contribuem para a formação da imagem da companhia.

Também é importante destacar que, por mais que algumas pessoas digam o contrário, dificilmente alguém consegue separar totalmente a vida profissional da vida pessoal. Imagine, por exemplo, que o prefeito de uma cidade é visto bêbado em uma festa.

Um cidadão que está no mesmo evento, ao ver tal fato, conta a história para seus amigos no dia seguinte. Você acha que ele falará que viu o senhor fulano de tal bêbado na festa ou que viu o prefeito? É claro que é a segunda opção! Isso apenas evidência que comportamentos tidos fora do ambiente corporativo, por mais que nada interfiram no trabalho, impactam a imagem profissional.

Agora imagine se além de ver o prefeito bêbado, a pessoa que o encontrou na festa fizesse uma filmagem e a publicasse nas redes sociais. O vídeo poderia viralizar e causar diversos danos à imagem do político, concorda?

É por conta disso que as empresas devem criar nos funcionários a consciência de que a forma como eles se comportam fora da companhia pode afetar a imagem profissional deles e, por consequência, da própria organização. Isso sempre aconteceu, mas nas mídias sociais ganhou força.

O caso Starbucks

Um exemplo de como o comportamento nas redes sociais afeta a imagem organizacional pode ser vista em uma reportagem do portal G1, que evidencia um acontecimento em uma loja do Starbucks, nos Estados Unidos.

Ao ver que dois consumidores negros estavam há muito tempo sem consumir na cafeteria, um funcionário chamou a polícia. Os clientes foram abordados pelos policiais e outros consumidores que estavam no local filmaram a ação e postaram nas redes sociais.

Em poucas horas o caso ganhou relevância e o vídeo passou a ter muitos compartilhamentos. Acusada de racista, a rede de cafeterias precisou vir a público e se desculpar pelo ocorrido.

Demissão na Latam por assédio às mulheres russas

Outro caso que ganhou repercussão na mídia ocorreu durante a Copa do Mundo na Rússia. Um vídeo foi gravado mostrando vários brasileiros assediando e constrangendo uma mulher russa.

A repercussão foi muito grande, tendo destaque na revista Veja e outros meios de comunicação! Um dos homens vistos no vídeo era funcionário da companhia aérea Latam. Mesmo estando em horário de folga, o rapaz foi demitido, uma vez que a empresa não queria a sua imagem relacionada a alguém que pratica o machismo e a misoginia. Mais uma vez, vemos o comportamento nas redes sociais tomar proporções maiores.

Comportamento nas redes sociais: quais são os pontos que as empresas devem ter cuidado?

Carolina Terra, especialista em relações públicas digitais, afirma que o funcionário é um dos maiores embaixadores ou representantes de uma marca. Por conta disso, a comunicação organizacional precisa estar alinhada e consistente, para que os colaboradores passem a ser defensores e não detratores da empresa em que trabalham.

Para que isso se efetive, as companhias precisam atentar para alguns pontos. Veja alguns exemplos, nos tópicos a seguir!

Promoção à ética e ao respeito

A cultura organizacional deve agregar valores como a ética e o respeito. Todos os funcionários devem ser orientados a sempre agirem de forma respeitosa com qualquer pessoa que se relacionarem, nos ambientes físicos ou digitais.

Não se deve ter e muito menos expor qualquer tipo de preconceito, como racismo, misoginia, homofobia, intolerância religiosa etc.

Falsa sensação de proteção nas redes sociais

Algumas pessoas ainda têm a falsa sensação de que as redes sociais são uma terra sem lei, em que tudo pode ser dito, sem que ocorram penalidades.

Isso é uma falácia, uma vez que já existem legislações específicas para aplicação na internet. De tal modo, se uma pessoa se sente ofendida por um comentário feito sobre ela nas redes sociais, por exemplo, pode mover processos judicias.

Hiperexposição

A internet trouxe uma realidade em que todos nós estamos hiperexpostos, praticamente o tempo todo. Por conta disso, alguns cuidados devem ser tomados para preservar as imagens pessoal e organizacional.

Será que vale a pena publicar uma imagem com muitas garrafas de bebida em um churrasco com os amigos, por exemplo? Até que ponto isso é divertido e pode interessar outras pessoas? Essa imagem não pode prejudicar a minha imagem como profissional e da empresa em que eu trabalho? Questões como essa devem ser sempre levantadas e as empresas precisam suscitar esse pensamento em seus colaboradores.

Criação de códigos de ética

Diversas empresas criam códigos de ética para que os colaboradores sigam nas redes sociais. A Adidas, por exemplo, estimula que seus funcionários se identifiquem como parte do seu time, porém salienta que a internet nunca se esquece e que cuidados devem ser tomados.

Entre outros pontos, um código de ética para o comportamento nas redes sociais pode trabalhar regras como:

  • evite publicar fotos pessoais e com pouca roupa;
  • jamais fale sobre assuntos sigilosos da empresa;
  • evite entrar em discussões políticas ou partidárias;
  • não fale mal da empresa e dos colegas de trabalho;
  • não faça postagens comemorando a sexta-feira ou reclamando da segunda.

Criação do Canal de Denúncias

Um canal independente, especializado e seguro para o recebimento e tratamento de denúncias, além de tornar seus funcionários mais éticos e responsáveis, também melhora a reputação do negócio e da empresa no mercado.

Empresas que têm canais de denúncias, conseguem captar comportamento impróprios de mais rapidamente. Ou seja, quando ocorre um fato que expõe a reputação da empresa, pessoas conhecedoras da marca, clientes ou qualquer um que saiba onde denunciar, procura o canal para reportar o fato.

Isso ajuda a empresa a ter conhecimento rápido sobre essas situações. Também dá uma boa noção do tamanho da exposição.

Não há dúvida de que o comportamento nas redes sociais gera impactos na empresa. Por isso, a melhor saída é conscientizar a todos e evitar que as percepções tidas pelos demais usuários da internet seja negativa.

Por Glower Fonseca, gerente sênior comercial na ICTS

Os cinco pontos de atenção em compliance para 2019

Compliance

Passadas as eleições, podemos acompanhar pelos noticiários que as ações das autoridades contra a corrupção e crimes financeiros permanecem, assim como se fortalecem as ações a favor do respeito à diversidade e nas relações pessoais no ambiente de trabalho. Ganha cada vez mais relevância a temática segurança de informações e privacidade de dados.

Neste sentido, destacamos os cinco principais pontos de atenção em compliance para as empresas neste ano. A lista contém temas macros, que vão impactar os programas de compliance nas organizações em 2019. O risco de reputação se faz presente, e por isto a importância do tema ter a devida atenção pelos executivos e líderes responsáveis por Programas de Compliance, de modo que as ações de prevenção e mitigação sejam tomadas.

1) Segurança de informações e privacidade de dados

O mundo virtual faz parte do mundo real. Dados se tornaram um ativo valioso, sendo base de muito modelos de negócios. A diferença é que o valor da informação se tornou maior com a lei 13.709/18, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados. Ela traz regras de consentimento, obrigações na proteção de dados, diretrizes para segurança de informação e reporte de incidentes, sanções que as organizações podem sofrer na ordem de 2% do faturamento até o limite de 50 milhões de reais, entre outros.

Neste contexto, é fundamental que os executivos das organizações busquem ações de conscientização sobre a nova lei e patrocinem o diagnóstico sobre qual será o impacto nos negócios. Posteriormente, é fundamental promover as melhorias necessárias, pois a lei passará a vigorar em fevereiro de 2020, o que na prática coloca 2019 como o ano para a adoção das novas práticas. E é essencial prever os recursos e orçamento para que isto aconteça, uma vez que dados pessoais é algo presente em todas as organizações.

2) Ampliação do universo de riscos de compliance

O combate à corrupção continua, bem como a promoção da cultura ética e o combate ao assédio. Vimos movimentos importantes de pactos setoriais anticorrupção se consolidando em 2018, e outros devem tomar forma em 2019. E tal movimento deve ser incentivado e ampliado. Mas não há como restringir a atuação dos Programas de Compliance a apenas estes temas. O universo de riscos de compliance abrangido pelo Programa deve ser ampliado. Além do tema segurança de informações e privacidade de dados, questões como prevenção à lavagem de dinheiro, práticas concorrenciais, e outros devem entrar no radar, inclusive como resultado do mapeamento de riscos de compliance realizado.

Contudo, vale lembrar que pesquisas recentes mostram que mais da metade das empresas nunca realizaram um mapeamento de riscos de compliance. Neste caso, este primeiro e importante passo deve ser realizado.

3) Promoção de ações de respeito à diversidade e de combate ao assédio

É muito importante a parceria das áreas de RH e Compliance das organizações para promover um ambiente de trabalho saudável e respeitoso. Uma recente pesquisa da ICTS Outsourcing mostra um aumento das denúncias de assédio moral nos últimos anos, que pode ser explicado pela maior conscientização dos colaboradores, empoderamento dos mesmos, regras claras providas pelas empresas através do código de ética e a adoção de ferramentas como o canal de denúncias.

Identificar e tratar estes casos, permite que uma empresa obtenha economia mensurável ao evitar a judicialização, numa média de quase 21 mil reais por processo, de acordo com esta mesma pesquisa.

Para isto, não basta realizar ações pontuais de comunicação, ou treinamentos que sejam vistos como obrigação pelos colaboradores. As ações devem ser efetivas e recorrentes. Um bom diagnóstico pode ser obtido através do processo de auditoria de cultura de compliance, prática ainda pouco adotada pelas empresas no Brasil.

E é preciso ir além da questão de prevenção ao assédio. Pesquisa da McKinsey and Co publicada no início de 2018, mostra a correlação entre diversidade e resultados. Sem a promoção de respeito e empatia no ambiente de trabalho, não será possível promover a diversidade, tampouco otimizar os resultados esperados. Num mercado competitivo, as organizações não podem se dar ao luxo de perder talentos, nem de desperdiçar recursos.

4) Ampliação do uso de tecnologias

A adoção de soluções tecnológicas como aliadas dos Programas de Compliance continua. Os treinamentos e-learning e o uso de analytics nas auditorias são uma realidade, e devem continuar sua evolução de aplicação no próximo ano.

É visível os diversos e distintos níveis de maturidade existentes no quesito tecnologia nos Programas de Compliance das empresas que atuam no Brasil. O uso de algorítimos e soluções automatizadas nos controles internos é uma prática em evolução, e o RPA (robotic process automation) é ainda pouco disseminado, mas deve iniciar um movimento de adoção pelo Compliance a partir de 2019. A aposta na inteligência artificial continua, em especial no suporte à dúvidas sobre a aplicação de regras e na identificação de fraudes em potencial.

5) Amadurecimento dos Programas de Compliance

Muitas das iniciativas iniciadas em 2013 e 2014 estão se consolidando, e se refletem em Programas que atingiram a maturidade em termos de existência dos elementos e de ter algum histórico em 2017 e 2018. Como consequência, a busca por ações de reconhecimento público cresceram em 2018, movimento que tende a continuar em 2019. São exemplos de reconhecimento a iniciativa Empresa Pró-Ética e a certificação ISO 37.001, de sistema de gestão antissuborno.

Contudo, vale destacar que por outro lado, 1 em cada 4,3 empresas ainda possuem baixo nível de maturidade. Parte das empresas deste grupo devem iniciar as ações em 2019, seguindo o movimento do mercado.

Por Jefferson Kiyohara, diretor de Compliance e ESG na ICTS Protiviti

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